Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Brasil
  • General Ramos resiste a entregar Casa Civil a líder do Centrão
Governo Bolsonaro

General Ramos resiste a entregar Casa Civil a líder do Centrão

Até a noite desta segunda-feira (26), a previsão era que Ciro Nogueira seria o substituto de Ramos no ministério mais prestigioso da Esplanada

Publicado em 27 de Julho de 2021 às 09:01

Agência FolhaPress

Publicado em 

27 jul 2021 às 09:01
General Eduardo Ramos
General Eduardo Ramos Crédito: Marcos Corrêa/PR
O ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, resiste a entregar o cargo ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do Centrão, e busca convencer o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a preservá-lo na função. O esforço, porém, deve ser em vão, segundo auxiliares e aliados do mandatário.
Até a noite desta segunda-feira (26), a previsão era que Ciro Nogueira seria o substituto de Ramos no ministério mais prestigioso da Esplanada.
O senador tem prevista uma reunião com Bolsonaro na manhã desta terça-feira (27) para definir os detalhes da nomeação no ministério.
Pelo desenho definido até aqui, a reforma ministerial envolve trocas em três pastas: o senador pelo Piauí e presidente do PP vai para a Casa Civil no lugar de Ramos, que deve passar para a Secretaria-Geral da Presidência – ocupada hoje por Onyx Lorenzoni.
Já Onyx deve ser titular do Ministério do Emprego e Previdência, a ser recriado com o desmembramento do Ministério da Economia.
Procurado, Ramos negou, por meio de sua assessoria, estar atuando para ficar no posto.
O convite de Bolsonaro para que Ciro Nogueira vá para a principal pasta do Palácio do Planalto é a jogada mais robusta que o presidente fez até aqui para assegurar o apoio de partidos e da base de congressistas ao seu governo.
Parlamentares, sobretudo os do Centrão, vinham pressionando pela saída de Ramos da Casa Civil.
A avaliação é que o general não tem traquejo político, falha na articulação com o Legislativo e breca demandas de senadores e deputados, como a liberação de emendas.
Há ainda a constatação de que, com a proximidade das eleições de 2022, é preciso ter alguém na Casa Civil que saiba dar visibilidade aos feitos do governo.
Aliados também esperam que Ciro Nogueira costure as alianças políticas necessárias para a campanha de reeleição de Bolsonaro.
A prioridade para articuladores políticos e dirigentes de siglas que hoje pretendem apoiar a campanha à reeleição de Bolsonaro é a reformulação do Bolsa Família e outras medidas que impulsionem a recuperação da economia em 2022, após a vacinação da população contra a Covid-19.
A aposta é que, com um programa de forte apelo popular e uma economia aquecida, o presidente deve conseguir recuperar a popularidade.
Atualmente, pesquisas indicam aumento na reprovação do governo e favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o pleito do próximo ano.
Apesar das fortes pressões, Bolsonaro resistia a tirar Ramos da Casa Civil por ser seu amigo de longa data. Diante da performance negativa em pesquisas e do aumento da insatisfação de líderes do centrão com o governo, entre eles Ciro, o presidente resolveu ceder.
Ramos foi pego de surpresa com a decisão, tornada pública na semana passada, e iniciou um movimento para tentar se segurar no cargo.
A justificativa dada por ele é que a Casa Civil funciona como uma espécie de coordenadora da Esplanada e não trata apenas da articulação política.
De acordo com interlocutores, Ramos alegou que o ideal é Ciro ser acomodado em outro ministério para conseguir focar no atendimento aos congressistas.
Segundo dois ministros e outros aliados de Bolsonaro no Congresso ouvidos pela reportagem, a ofensiva de Ramos não funcionou.
Nesta segunda, Bolsonaro defendeu a nomeação de Ciro para a Casa Civil e chegou a minimizar a importância da pasta --embora ela seja o núcleo de coordenação do governo.
"Os ministérios mais importantes continuam por critério técnico. Tem uma possibilidade agora de o Ciro Nogueira assumir o Ministério da Casa Civil. A Casa Civil não tem orçamento em suas mãos. Ela faz a articulação com o Parlamento", disse o presidente, em entrevista à rádio Arapuan FM, de João Pessoa.
"E nós acreditamos que um político, no caso um senador, poderia fazer essa articulação com o Parlamento. Por isso essa aproximação com o Ciro Nogueira, que é de um partido de centro", afirmou.
Bolsonaro também rebateu críticas por ter escolhido para a Casa Civil um congressista que responde a inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).
"Se eu afastar do meu convívio parlamentares que são réus ou que respondem a inquéritos, eu perco quase metade do Parlamento", disse. Em seguida, Bolsonaro lembrou que ele mesmo é réu no Supremo por apologia do crime de estupro contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).
"Então eu não devia estar aqui também. Eu acho que todos nós só somos culpados depois de a sentença transitar em julgado. Então se o Ciro ou qualquer outro ministro meu for julgado e condenado, obviamente se afasta do governo. Mas no momento é o que eu tenho para trabalhar aqui em Brasília."
A ida de Ciro para a Casa Civil e o desmembramento da Economia não são os únicos flancos da investida do centrão sobre o governo.
Congressistas continuam pressionando o Planalto para recriar o Ministério do Planejamento, cujas funções estão hoje dentro da Economia e envolvem o controle do Orçamento federal.
O Centrão avalia que o titular da Economia, Paulo Guedes, acumulou muitas atribuições. Além disso, há um desgaste na relação do Congresso com o ministro, principalmente em relação ao orçamento, como volume de emendas.
Bolsonaro está no momento mais fragilizado do seu governo até aqui. Em meio à pandemia do novo coronavírus e suspeitas de corrupção em negociações de vacinas contra a Covid, o presidente e seu governo vêm assistindo a uma escalada de impopularidade.
O ex-presidente Lula, hoje seu principal adversário, ampliou vantagem nas intenções de voto para 2022 e cravou 58% a 31% no segundo turno, apontou a pesquisa mais recente do Datafolha.
Ainda de acordo com a pesquisa, 59% dos eleitores dizem que não votam de jeito nenhum no atual presidente --esse índice era de 54% no levantamento anterior, feito em 11 e 12 de maio.
Ao trazer Ciro para o coração do governo, Bolsonaro sela seu casamento com o Centrão – grupo de legendas fisiológicas que, na campanha eleitoral de 2018, eram frequentemente criticadas pelo então candidato a presidente.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante operação em estrada
Acidente entre motos interdita totalmente trecho da BR 262 no ES
Imagem de destaque
Helicóptero de Henrique e Juliano cai no Tocantins
Imagem de destaque
Quatro décadas de futuro: como o Espírito Santo aprendeu a planejar além dos governos

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados