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Uso indiscriminado

Jovem compra viagem para Buenos Aires após alucinação com remédio controlado

Fármaco é indicado para o tratamento de insônia e tem virado assunto nas redes sociais; alguns consumidores relatam episódios de sonambulismo e alucinações com a ingestão do medicamento controlado

Publicado em 07 de Novembro de 2022 às 17:55

Agência FolhaPress

Publicado em 

07 nov 2022 às 17:55
O uso indiscriminado de um remédio controlado - indicado para o tratamento da insônia - tem ganhado repercussão nas redes sociais. Alguns consumidores do medicamento foram ao Twitter relatar suas experiências com o fármaco, após o programa "Fantástico", da rede Globo, abordar o assunto.
Cápsulas, comprimido, remédio, manipulado
Remédios: jovem relata alucinação após ingerir remédio controlado indicado para o tratamento da insônia Crédito: Shutterstock
Alguns usuários relataram que tiveram sonambulismo, alucinações e, segundo relatos, "piores sensações" com a ingestão do remédio controlado. Na reportagem, exibida no domingo (6), um jovem de 22 anos disse que, durante um episódio de alucinação, comprou duas passagens para Buenos Aires.
"Quando me deitei, senti fome, levantei, peguei comida na geladeira e sentei na cama. Fiquei olhando o Instagram e, começou aí, os lapsos de memória"
Pedro Henrique Alves - Entrevista ao "Fantástico" - 06/11/22
"Comprei dois pacotes de viagem para Buenos Aires, cada pacote custou R$ 4,5 mil, totalizando R$ 9 mil. Pela manhã, a agência estava ligando. Na primeira vez que atendi, eles me perguntaram se eu reconhecia a compra. Falei que precisava cancelar, a mulher me perguntou o motivo e eu respondi: 'Tive uma alucinação, acreditei que a minha avó era rainha de Genóvia e estava me esperando em Buenos Aires'".
Nos últimos meses, o uso do remédio controlado segue repercutindo na internet. Segundo dados da plataforma Google Trends, a procura pelo fármaco aumentam na ferramenta de busca desde agosto, quando houve pico de pesquisas. Agora, os relatos de jovens que apresentam episódios de alucinação se espalham nas redes sociais.
Segundo a bula do remédio, a duração do tratamento deve ser a menor possível, e, assim como com todos os hipnóticos, não deve ultrapassar quatro semanas.
Em entrevista ao "Fantástico", a neurologista e pesquisadora do Instituto do Sono, Dalva Poyares, explicou que o medicamento não tem ação sedativa, trata-se de um hipnótico direto. "É como se eu estivesse acordada e, ao mesmo tempo, dormindo. É muito semelhante ao sonambulismo", explicou a neurologista.
Por conta da ação do medicamento, a recomendação é de que o paciente repouse logo após a ingestão do remédio. Evitando, assim, qualquer tipo de ação após o uso do medicamento.

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