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Cinco anos depois

Julgamento do caso do menino Henry Borel entra no 8º dia e se torna o mais longo do RJ

Monique Medeiros e Jairinho, mãe e padastro de Henry, adotam estratégias opostas no banco dos réus

Publicado em 01 de Junho de 2026 às 11:31

Agência FolhaPress

Publicado em 

01 jun 2026 às 11:31
Menino Henry Borel
O menino Henry Borel foi assassinado aos 4 anos em 2021. Reprodução / @lenielborel
O julgamento dos réus pela morte do menino Henry Borel, 4, chega ao oitavo dia e já se torna o mais longo da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, superando o da ex-deputada federal Flordelis, condenada pelo assassinato do pastor Anderson do Carmo.
A duração do julgamento tem sido atribuída às longas oitivas e aos extensos questionamentos feitos por acusação e defesa, muitas vezes repetindo temas já abordados. O irmão de Monique Medeiros, Bryan Medeiros, foi interrogado por cerca de dez horas.
Na manhã desta segunda-feira (1º), uma carreata com aproximadamente 20 veículos, promovida por parentes e amigos de Leniel Borel, seguiu até o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pedindo justiça.
No banco dos réus estão a ex-diretora escolar Monique Medeiros e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, mãe e padrasto da criança. Os dois, que hoje adotam estratégias opostas de defesa, permaneceram aliados durante a fase inicial das investigações.
Em 8 de abril de 2021, um mês após a morte de Henry, foram encontrados dormindo na mesma cama durante a operação que resultou na prisão de ambos.
Até aquele momento, a defesa conjunta, feita pelo advogado André França, sustentava que a criança havia sido vítima de um acidente doméstico e que vivia em um ambiente familiar harmonioso.
Duas semanas após ser presa, Monique escreveu uma carta de 29 páginas na qual afirmou ter vivido um relacionamento marcado por violência e ameaças praticadas por Jairinho. No documento, também relatou supostos episódios de agressão sofridos por Henry.
Posteriormente, Monique passou a acusar Jairinho pela morte do filho e admitiu ter mentido à polícia. Em seu primeiro depoimento, afirmou ter encontrado Henry caído ao lado da cama. Mais tarde, disse que foi orientada pelo advogado a apresentar essa versão e passou a sustentar que estava dormindo quando Jairinho a acordou informando que havia encontrado o menino desacordado.
A defesa de Jairinho afirma que tanto ele quanto Monique são inocentes. A estratégia adotada é levantar dúvidas aos jurados sobre a dinâmica da morte, sem apontar uma causa específica para o óbito. Para isso, os advogados concentram esforços na contestação dos laudos periciais produzidos durante a investigação, buscando invalidar provas e questionar a narrativa apresentada pela acusação.
Os defensores argumentam que os ferimentos que causaram a morte da criança poderiam ter sido provocados por uma queda ou até mesmo por falhas nos procedimentos de reanimação realizados no hospital. Além disso, tentam descredibilizar Monique, retratando-a como uma pessoa manipuladora e negando que ela tenha sido vítima de violência física ou psicológica.
Já a defesa de Monique sustenta que ela vivia em um relacionamento abusivo, marcado por violência física e psicológica praticada por Jairinho. Com essa tese, argumenta que ela não tinha plena compreensão da gravidade da situação e foi influenciada pelo então companheiro a mentir às autoridades.
Neste oitavo dia de julgamento, o perito Leonardo Huber Tauil é esperado para responder a questionamentos sobre os laudos elaborados no caso. O especialista descarta a hipótese de acidente doméstico.
Ao todo, sete laudos periciais concluíram que Henry morreu em decorrência de hemorragia interna e laceração hepática causadas por ação contundente.
Segundo Tauil, as lesões exigiram a aplicação de força de alta intensidade, incompatível com um acidente doméstico comum. O perito também afirma que a criança permaneceu viva por cerca de quatro horas após sofrer a lesão hepática considerada fatal. Um dos laudos afastou formalmente a hipótese de acidente doméstico e delimitou o período em que o crime teria ocorrido entre 23h30 de 7 de março e 3h30 de 8 de março de 2021.
Além de Tauil, ainda são aguardados os depoimentos do psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e do médico Jeferson Evangelista Corrêa. Após essas oitivas, o julgamento deverá entrar na reta final, com os interrogatórios dos réus e as alegações finais das partes.
Entre os depoimentos mais relevantes até o momento está o da babá de Henry, Thayná Ferreira. Ela afirmou ter presenciado ao menos três situações em que Jairinho permaneceu sozinho com a criança em um quarto. Em uma delas, segundo seu relato, Henry saiu mancando e reclamando de dores na cabeça. A testemunha afirmou ainda que comunicou os episódios a Monique na época dos fatos.
Também tiveram destaque os depoimentos de ex-namoradas de Jairinho, que relataram agressões e até estupro, além do testemunho de uma jovem que afirmou ter sido torturada por ele quando criança.
Neste domingo (31), tiveram início os depoimentos das testemunhas de defesa de Jairinho. O primeiro a ser ouvido foi seu pai, o coronel Jairo Souza Santos. Ele disse que chegou ao hospital no momento em que os médicos comunicaram a morte de Henry e relatou que Monique estava em estado de choque.
Durante o depoimento, o coronel classificou como "covardia" as acusações feitas contra o filho e chamou de "desonesto" o perito responsável pelo principal laudo do caso.
A defesa também apresentou Fernanda Abdul Figueiredo, atual companheira de Jairinho e mãe de seu filho mais velho, que integra a equipe de defesa do réu. Ouvida como informante em razão do relacionamento que mantém com o ex-vereador, ela negou que Jairinho tenha perfil agressivo e relatou episódios em que o agrediu após descobrir traições, sem que ele reagisse.

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