O juiz Andre Wasilewski Duszczak, da 1.ª Vara Federal de Ponta Grossa, negou, na noite desta quarta-feira (21), um pedido do grupo BRF para impedir que a Polícia Federal tenha acesso ao conteúdo dos e-mails apreendidos na empresa em ação de busca e apreensão da Operação Trapaça, terceira fase da Carne Fraca.
Em petição ao magistrado, a empresa alega que há risco de que os investigadores possam visualizar informações confidenciais de funcionários e ex-funcionários, além da troca de mensagens entre o grupo e advogados, que o assessoram em questões "alheias à investigação" e que são resguardados por sigilo.
"O acesso indiscriminado aos arquivos eletrônicos de funcionários e ex-funcionários violaria direitos constitucionalmente assegurados, como a intimidade e vida privada", diz a BRF em petição ao juiz.
Ao negar o pedido, o juiz escreveu que impedir o acesso aos dados seria quase que equivalente a uma "censura prévia" a investigação da PF.
A Operação Trapaça foi às ruas no início deste mês e prendeu temporariamente o ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, e o vice-presidente de Operações Globais da empresa, Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnio, entre outros funcionários. Todos já foram soltos na semana retrasada e estão impedidos de frequentar e de participar de decisões nos negócios da empresa.
Segundo a Polícia Federal, as investigações mostraram que cinco laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura e setores de análise fraudavam os resultados dos exames de amostras do processo industrial. O objetivo era burlar a inspeção e, assim, impedir a fiscalização do ministério sobre a qualidade do processo industrial da empresa.