FORTALEZA E SALVADOR - Após sofrer derrotas em votações recentes no Congresso Nacional, o presidente Lula (PT) afirmou que que nenhum parlamentar é obrigado a votar com o governo e indicou que vai negociar com os parlamentares projeto a projeto.
As declarações foram dadas nesta sexta-feira (12) em Fortaleza, onde o presidente participou do lançamento da medida provisória do que institui o programa Escolas de Tempo Integral.
"Nenhum deputado é obrigado a votar naquilo que o governo quer, do jeito que o governo quer. O deputado pode pensar diferente, pode querer fazer uma emenda, pode querer mudar um artigo, e nós temos que entender que isso faz parte do jogo democrático", afirma.
Lula evitou dimensionar a sua base no Congresso e, quando questionado sobre o assunto, disse que sua base são os 513 deputados e 81 senadores: "Eles serão testados em cada votação. Em cada votação você tem que conversar com todos os deputados".
Ainda segundo o presidente, no atual formato da Constituição, é o Poder Executivo que precisa do Congresso Nacional, e não o contrário. Lembrou que o PT tem apenas 69 deputados e defendeu a construção de uma relação civilizada com deputados e senadores.
"Tenho que conversar com todo mundo, não tenho que perguntar que partido que ele é. [...] Tenho que conversar com quem gosta e quem não gosta de mim", afirmou o presidente.
Depois das derrotas em votações no Congresso, Palácio do Planalto iniciou na quarta-feira (11) suas primeiras reuniões de freio de arrumação com partidos da base.
Ao mesmo tempo em que aconteceu uma cobrança do Planalto, também houve um compromisso com a liberação de emendas e de cargos no governo.
O anúncio foi feito durante visita do presidente ao Ceará, onde participou do evento de lançamento do programa Escolas de Tempo Integral e do Pacto Nacional pela Retomada de Obras Escolares. Com Lula, estavam o ministro da Educação, Camilo Santana (PT) e o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).
O ato foi realizado pela manhã, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.
Professores e sindicalistas aproveitaram a presença de Lula e do ministro da Educação para fazer um protesto com demandas para o setor. O grupo exibiu placas que pediam respeito ao piso salarial da educação, mais dinheiro para o setor e a revogação do novo ensino médio.
O evento contou com a presença de estudantes e professores da rede estadual e municipal de ensino, juntamente com líderes de centrais sindicais e movimentos sociais.
Dentre eles estava um grupo de militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que nesta quinta (11) não participou de um ato com Lula em Salvador. A entidade argumentou que foi barrada do ato pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que nega o veto.
Da capital cearense, Lula segue para a cidade de Crato, região do Cariri cearense, onde lança o programa Pacto Nacional de Retomada de Obras na Educação Básica, para a retomada de quatro mil obras paralisadas na gestão anterior. As obras, em creches e escolas da rede pública de educação, serão financiadas pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
O ensino em tempo integral é uma das principais bandeiras da gestão do ministro Camilo Santana, que foi governador do Ceará entre janeiro de 2015 e abril de 2022. O estado é considerado exemplo na educação básica, com resultados acima da média nacional.
No Ceará, o programa de escola em tempo integral deve atingir este ano mais de 70% da rede de escolas estaduais, segundo dados do Governo do Estado. Ao todo, serão 472 escolas com jornada ampliada de nove horas distribuídas em 165 municípios.