O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro e vai substituir o general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. O médico vai se tornar o quarto ministro a comandar a área durante a pandemia da Covid-19.
Queiroga foi o segundo nome cogitado para a função. Depois da recusa da médica Ludhmila Hajjar, o presidente chamou o cardiologista para uma reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, na tarde desta segunda-feira (15).
"(Ele) tem tudo, no meu entender, para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento em tudo que o Pazuello fez até hoje", declarou Bolsonaro, em fala transmitida por um site bolsonarista.
Queiroga será o quarto a ocupar o cargo em 12 meses de pandemia. Antes de Pazuello, chefiaram a pasta os médicos Luiz Henrique Mandetta e, por 28 dias, Nelson Teich.
"No tocante às vacinas, um programa bastante ousado, mais de 400 milhões de doses contratadas até o final do ano. Este mês vamos receber mais de 4 milhões de vacinas, e essa política de vacinação em massa continuará cada vez mais presente em nosso governo", disse Bolsonaro.
OUTROS PROGRAMAS
O presidente disse ainda que Queiroga, além da vacinação, vai promover outros programas para diminuir o número de mortes por Covid-19 no Brasil. Ele elogiou ainda a administração de Pazuello.
"[O] trabalho do Pazuello está muito bem feito, parte de gestão foi muito bem feita. E agora vamos partir para uma parte mais agressiva no tocante ao combate ao vírus", afirmou Bolsonaro. Ele também disse que a oficialização da indicação de Queiroga deve ser publicada na terça (16) e que o período de transição na Saúde deve durar "uma ou duas semanas".
Queiroga foi aluno de Enéas Carneiro, morto em 2007, que foi cardiologista e ícone dos conservadores.
Bolsonaro vem recebendo nas últimas semanas conselhos de que, diante da montanha de óbitos, é preciso se livrar da imagem de negacionista da pandemia e dar uma guinada em defesa da ampla imunização contra o vírus.
O diagnóstico - também feito pelo ministro Fábio Farias (Comunicações) e pelo novo chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), almirante Flávio Rocha - foi reforçado diante da inesperada reabilitação dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), potencial nome para disputar as eleições de 2022 contra Bolsonaro.
Auxiliares do presidente ressalvam, porém, que há limites para a mudança de retórica de Bolsonaro - e que ela não atinge as críticas ao isolamento social e as políticas adotadas por governadores.
Após a conversa com Queiroga, Bolsonaro convidou o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, para um encontro no Palácio do Planalto.
O gesto teve como objetivo evitar um mal-estar com o PP, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL).
A legenda vinha tentando emplacar para o comando da sigla o nome do deputado federal Luiz Antônio Teixeira (PP-RJ), o "Doutor Luizinho". Na noite desta segunda-feira, dirigentes da legenda reclamaram da escolha do presidente e ressaltaram que ele deveria ter levado em conta o apoio da sigla no Congresso.
Com informações da Folhapress