O imunizante tem quatro diferentes sorotipos do vírus causador da doença, conferindo assim uma ampla proteção. Destinado ao público de 4 a 60 anos, ele é aplicado em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
Segundo Vivian Lee, diretora-executiva de assuntos médicos da Takeda Brasil, a previsão estimada para o produto estar em unidades de saúde do país leva em consideração trâmites necessários para a sua comercialização.
Depois da aprovação da Anvisa, outra etapa se dá na CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que define o valor máximo de medicamentos. Por enquanto, não há estimativa de quanto a dose deve custar.
Lee diz que a vacina já foi submetida à câmara e que agora é necessário aguardar. Segundo a diretora, essa etapa normalmente dura em torno de três meses, porém existe a possibilidade de levar mais tempo.
Na perspectiva mais otimista, de o processo durar três meses, Lee observa que a vacina deve estar disponível no Brasil no segundo semestre deste ano.
Segundo Lee, a farmacêutica tem capacidade de distribuir a vacina no setor privado no país, mas os pedidos ainda não foram feitos pelas clínicas por ainda não haver o valor definido do fármaco. "Não temos recebido negociação porque não temos a definição do preço na CMED", afirma a diretora.
Também existe o interesse de levar o imunizante para o SUS, até por causa do impacto da dengue no Brasil. Só no ano passado houve mais de mil mortes.
Para um fármaco ser adicionado à rede pública de saúde, é necessário que ele passe antes pela avaliação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS).
"Nessa análise, a Conitec considera aspectos como eficácia, efetividade, segurança e impacto econômico da nova tecnologia com base nas melhores evidências científicas disponíveis", afirmou o Ministério da Saúde em nota à Folha de S.Paulo.
No caso da Qdenga, a pasta também afirma que "a inclusão da vacina para controle da dengue no SUS é prioridade". No momento, a definição do preço pela CMED é aguardada para que a vacina seja então analisada pela Conitec.
Uma vantagem da vacina é que ela pode ser utilizada tanto em pessoas que já tiveram dengue quanto naquelas sem histórico da doença.
Em estudos, observou-se boa capacidade de defesa contra a infecção. Em avaliação clínica, após 12 meses da aplicação, a eficácia geral foi de 80,2% contra a dengue causada por qualquer um dos quatro sorotipos que causam a doença.
"A demonstração da eficácia da vacina Qdenga tem suporte principalmente nos resultados de um estudo de larga escala, estudo de fase 3, randomizado e controlado por placebo, conduzido em países endêmicos para dengue com o objetivo de avaliar a eficácia, segurança e imunogenicidade da vacina", disse a Anvisa, em nota, sobre a aprovação do imunizante.
No Brasil, há outro imunizante, fabricado pela Sanofi Pasteur, que age contra a infecção, mas só é indicado para aqueles que já apresentaram a doença. Essa vacina só está disponível na rede privada.