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No Congresso

PL e filhos de Bolsonaro articulam reação a prisão com nova pressão por anistia

Flávio Bolsonaro rejeita acordo sobre dosimetria e cita prioridade para aprovar perdão; líder da oposição fala em "amadurecimento" de presidentes do Congresso para discutir tema
Agência FolhaPress

Publicado em 

24 nov 2025 às 19:14

Publicado em 24 de Novembro de 2025 às 19:14

BRASÍLIA - O PL deverá fazer uma nova ofensiva no Congresso para destravar a tramitação do projeto de lei que dá anistia aos condenados pelos ataques golpistas do 8 de Janeiro numa reação à prisão de Jair Bolsonaro (PL), no sábado (22).
A estratégia foi discutida em reunião nesta segunda-feira (24) com a participação de Michelle BolsonaroCarlos, Jair Renan e Flávio Bolsonaro – filhos do ex-presidente –, além do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e de deputados e senadores da legenda.
De acordo com Flávio, a prioridade número 1 será fazer avançar na Câmara o projeto de lei. Ele afirmou que, a partir de agora, o "objetivo único" da oposição será a aprovação da matéria. Flávio disse ainda que não o PL não aceita discutir dosimetria e que o partido não fará esse tipo de acordo.
"Sempre deixamos bem claro que esse tipo de acordo [sobre dosimetria] nós não faríamos. O que pedimos é que a democracia prevaleça: o relator pauta a redação como ele bem entender e nós vamos usar os nossos artifícios regimentais para aprovar a anistia. O que vai ser aprovado, o texto final, vai para o voto. Não temos compromisso nenhum com dosimetria, nosso compromisso é com anistia e que vença quem tenha mais votos", disse.
Senador Flávio Bolsonaro durante entrevista
Flávio Bolsonaro disse que "objetivo único" da oposição será a aprovação da anistia Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
De acordo com o senador, a oposição não deverá obstruir os trabalhos do Congresso, instrumento usado em outras ocasiões, justamente porque o grupo quer levar o tema ao debate.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), disse que conversou no sábado (22) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). De acordo com o senador, Motta está consultando líderes para avaliar a viabilidade de discutir o tema.
"Todos nós estamos fazendo todo o esforço possível, conversando com outros líderes de outros partidos, para que esse debate seja desinterditado. Queremos que o Parlamento cumpra o seu papel. Não obrigamos ninguém e nem queremos compromisso de mérito. Não dá para o Parlemento ficar à mercê de outro Poder."
Nos últimos dias, Motta vinha sinalizando que o tema poderia ser levado à discussão nesta semana. O próprio relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), disse à Folha de S.Paulo no sábado (22) que a prisão preventiva do ex-presidente deveria dar novo impulso ao projeto, afirmando que ela facilitaria "a negociação da dosimetria".
Após a divulgação de vídeo que mostrou Bolsonaro admitindo que fez uso de "ferro quente" para tentar abrir a tornozeleira eletrônica, no entanto, integrantes do centrão passaram a enxergar dificuldades de qualquer assunto relacionado à anistia ou à dosimetria avançar no Congresso. A expectativa é que o tema seja discutido na reunião de líderes com Motta nesta terça (25).
Segundo Marinho, está ocorrendo um "amadurecimento" do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e de Motta sobre a necessidade de discutir o tema, até para que "os parlamentares possam dizer de que lado eles estão e o que eles defendem". Marinho disse ainda que o líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), se reuniu com Motta nesta segunda para discutir o assunto.
O encontro desta segunda de integrantes do PL, originalmente previsto para terça (25), foi antecipado devido à prisão preventiva de Bolsonaro no sábado (22). Segundo nota enviada à imprensa, o motivo da reunião era tratar de "alinhamento estratégico e próximos encaminhamentos do partido".
Polícia Federal prendeu preventivamente Bolsonaro na manhã de sábado (22), na reta final do processo da trama golpista. Ele está na superintendência da Polícia Federal em Brasília. A PF decretou prisão preventiva, sob a justificativa de garantia da ordem pública diante de uma vigília convocada por Flávio.

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