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Operação

Seis policiais são denunciados sob acusação de matar guia de turismo na BA

Victor Cerqueira Santos Santana foi morto por agentes em operação em maio de 2025

Publicado em 17 de Julho de 2026 às 14:20

Agência FolhaPress

Publicado em 

17 jul 2026 às 14:20
Victor Cerqueira Santos Santana, o Vitinho, foi morto em ação policial em Caraíva (BA)
Victor Cerqueira Santos Santana, o Vitinho, foi morto em ação policial em Caraíva (BA) @21cerqueirass no Instagram

O Ministério Público do Estado da Bahia denunciou nesta quinta-feira (16) quatro policiais militares e dois policiais civis sob acusação das mortes de dois homens durante uma operação no distrito de Caraíva, em Porto Seguro. A operação Travessia foi realizada no dia em 10 de maio de 2025 com o objetivo de combater o tráfico de drogas no balneário, que é um dos principais destinos turísticos do sul da Bahia.


Uma das vítimas da ação policial foi o guia de turismo Victor Cerqueira Santos Santana, 28, conhecido como Vitinho. Ele trabalhava com passeios de lancha e buggy e, segundo familiares, amigos e moradores da comunidade, não tinha ligação com organizações criminosas.


A segunda vítima foi Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como Alongado, apontado pela polícia como suspeito de liderar um grupo criminoso atuante na região e que possuía mandado de prisão em aberto. Um terceiro homem foi preso durante a operação.


Em nota, a Polícia Civil da Bahia disse que que não coaduna com qualquer ato de violência ou conduta que contrarie os critérios e as normas legais vigentes. O caso é acompanhado por meio de sindicância instaurada pela corregedoria. A Polícia Militar foi procurada na manhã desta sexta-feira (17), mas não se manifestou sobre a denúncia até o momento.


Os policiais foram denunciados sob suspeita de homicídios qualificados por motivo torpe, com emprego de meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e utilização de arma de fogo de uso restrito.


A Promotoria também pediu à Justiça o afastamento cautelar dos seis policiais enquanto o processo tramita. O caso ainda ainda será analisado pela Justiça, que definirá se os agentes se tornarão réus.


As provas reunidas no Procedimento Investigatório Criminal indicam que as mortes ocorreram "fora de uma situação concreta de confronto", em circunstâncias em que as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade diante da atuação dos policiais.


O MP-BA afirma que Davisson Sampaio dos Santos, o Alongado, foi atingido por diversos disparos em via pública, sem possibilidade de reação.


Victor Cerqueira Santos Santana foi abordado pelos policiais, foi revistado e teve o celular analisado. Depois, foi agredido no rosto e obrigado a deitar no chão, segundo a Promotoria. Em seguida, recebeu dois tiros que vieram da arma de um dos policiais.


Na época da operação em Caraíva, a Secretaria da Segurança Pública do governo Jerônimo Rodrigues (PT) informou que dois suspeitos morreram após troca de tiros com os policiais.

A perícia balística, contudo, não identificou partículas de chumbo nas mãos das duas vítimas.


Os policiais civis também foram denunciados por fraude processual. Segundo a Promotoria, eles teriam "alterado artificialmente o estado de coisas" após as mortes. A eventual participação de policiais militares nesse mesmo crime será analisada pela Vara da Auditoria Militar.


Os policiais teriam retirarado os corpos do local antes da perícia, impedido a circulação de pessoas na área, recolhido projéteis e apreendido dispositivos de armazenamento das câmeras de segurança das imediações sem autorização judicial.


O MP ainda afirma que os policiais apresentaram uma arma dizendo que pertencia a Victor para sustentar a tese de legítima defesa, mas as testemunhas afirmaram que ele estava desarmado durante toda a abordagem.


Relatos de testemunhas indicam que, no momento da operação, Victor aguardava hóspedes próximo às margens do rio Caraíva para levá-los até uma pousada da vila.


A morte de Victor provocou forte repercussão em Caraíva. Moradores organizaram um protesto e bloquearam o acesso às balsas que fazem a travessia do rio, principal entrada da vila. Comerciantes também relataram que, após a operação, criminosos determinaram um toque de recolher, levando ao fechamento de bares, restaurantes e outros estabelecimentos. Na época, a SSP negou que tenha havido toque de recolher.

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