Durante entrevista nesta sexta-feira (4), o presidente Michel Temer voltou a dizer a intervenção não resolverá os problemas do Rio de Janeiro "de um dia para o outro" e afirmou a presença de interventores "começou a dar sensação de segurança" para o estado. A entrevista foi concedida à "TV NBR", canal do governo federal.
"Desde o momento em que nós decretamos a intervenção, nós registramos que essas questões não se resolvem de um dia para o outro ou de um mês para o outro. Fui secretário de Segurança Pública duas vezes em São Paulo e, quando eu começava uma atividade de combate à criminalidade, percebia que só dali a quatro ou seis meses é que se teria resultados. O segundo ponto é que a presença dos interventores, de alguma maneira começou a dar uma sensação de segurança no Rio de Janeiro. Terceiro ponto é que a segurança pública hoje comandada pelo interventor fez várias operações, lá na Vila Kennedy por exemplo, que deram muita tranquilidade ao povo daquela região. Nós estamos praticamente a dois meses da intervenção decretada. Ela começa a dar resultados agora", argumentou Temer.
Na entrevista, o presidente foi questionado sobre o aumento de alguns índices relacionados à segurança, como é o caso de chacinas, mesmo após o início da intervenção. De acordo com o primeiro relatório do Observatório da Intervenção, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Candido Mendes, a violência no estado nestes 60 dias só cresceu. Sob o título “À Deriva - Sem Programa, Sem Resultados, Sem Rumo”, o documento produzido em parceria com organizações sociais de direitos civis e de direitos humanos analisa que, além de não resolver a questão da segurança, casos graves como chacinas estão recrudescendo.
Temer admitiu que o aumento de alguns crimes poderia ser uma "reação" à presença da intervenção no estado:
"Desde o primeiro momento falava-se que poderia haver uma reação à esta presença ostensiva das forças de segurança que estão atuando no Rio de Janeiro. Então não é muito improvável e já era mais ou menos previsto", disse.
Indagado sobre a possibilidade de o modelo de intervenção federal ser replicado para outros estados, Temer defendeu que a União estivesse mais presente coordenando a segurança em outros estados brasileiros:
"Não só decretei a intervenção como criei o ministério da Segurança Pública. A segurança pública é uma competência dos estado da federação e nós não vamos invadir a competência deles. Nós vamos coordenar e integrar a segurança pública em todo o país. Portanto, eu não digo em replicar a intervenção, mas replicar por meio do ministério da Segurança Pública, essa presença efetiva da União na integração e coordenação da segurança em todos os estados brasileiros", concluiu o presidente.