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Cassado

Vereador de SP é o primeiro no país a perder mandato por racismo

Por 47 votos a favor e 5 abstenções, Câmara de São Paulo entendeu que Camilo Cristófaro cometeu quebra de decoro parlamentar por fala racista; parlamentar tem vasto histórico de posturas preconceituosas
Agência Estado

Publicado em 

20 set 2023 às 08:48

Publicado em 20 de Setembro de 2023 às 08:48

Câmara de SP cassa mandato do vereador Camilo Cristófaro por racismo Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil
A Câmara Municipal de São Paulo decidiu na terça-feira (19), cassar o mandato do vereador Camilo Cristófaro (Avante). Por 47 votos a favor e 5 abstenções, o plenário da Casa entendeu que o vereador cometeu quebra de decoro parlamentar ao proferir uma frase racista durante a CPI dos Aplicativos, em maio do ano passado. Essa foi a primeira medida do gênero por esse motivo no Brasil. Com o afastamento, o suplente de Cristófaro, Adriano Santos (PSB), será chamado a tomar posse.
A representação contra Cristófaro, na época ainda no PSB, foi apresentada pela vereadora Luana Alves (PSOL) após ele proferir uma frase racista durante uma sessão híbrida da CPI dos Aplicativos. Em áudio vazado, Cristófaro disse: "Olha só, lavando a calçada. Isso é coisa de preto". Por conta da repercussão negativa, o diretório estadual do PSB desfiliou o vereador da legenda. A decisão foi tomada pelo presidente estadual da sigla, Jonas Donizette.
Um dia depois do episódio, Cristófaro se desculpou publicamente. "Eu peço desculpas a toda população negra por esse episódio que destrói toda minha construção política na busca de garantia à cidadania dos paulistanos, principalmente aos que têm suas portas de acesso ao direito diminuída pelo racismo estrutural. Apesar de ter tido uma fala racista, em minhas atitudes e com o tempo vocês terão a oportunidade de constatar isso", afirmou na ocasião.
Na sessão de terça-feira, o vereador e seu advogado tiveram duas horas para apresentar a defesa. Em sua fala, Cristófaro disse que "nunca foi chamado de racista em nenhum canto desta cidade". E acrescentou: “Gozado um vereador racista que tem na sua equipe de gabinete mais do que qualquer outro vereador: 60% de negros. Tenho hoje 150 obras nesta cidade e 95% das pessoas beneficiadas são negras”.
Já o advogado do vereador, Ronaldo Alves de Andrade, comparou o caso de Cristófaro ao julgamento do oficial da Alemanha Nazista Adolf Eichmann, considerado arquiteto do holocausto.
Eichmann foi capturado na Argentina por agentes israelenses e levado a Israel, onde foi condenado à morte em 1961. Segundo Andrade, da mesma forma que o Tribunal de Jerusalém, em sua versão, estava enviesado para condenar o nazista, o plenário da Câmara iniciou a sessão já convencido em cassar Cristófaro.
Na Justiça, porém, Camilo Cristófaro acabou vendo seu caso ser arquivado. O juiz Fábio Aguiar Munhoz Soares, da 17ª Vara Criminal de São Paulo, rejeitou a denúncia argumentando que a fala do parlamentar poderia sim ser considerada discriminatória, mas foi dita "sem a vontade de discriminar". Segundo Soares, a frase "foi extraída de um contexto de brincadeira, de pilhéria, mas nunca de um contexto de segregação".

Posturas preconceituosas e desafetos

Cristófaro entrou para Câmara, em 2016, com discurso contra "a indústria da multa". Ele ficou conhecido ao fazer vídeos, publicados na internet, com situações em que fiscais do trânsito multam motoristas em São Paulo. Em 1993, aliás, foi nomeado por Paulo Maluf para a superintendência da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
Neste primeiro mandato, o vereador do Avante já havia sido cassado após a Câmara cumprir uma decisão da Justiça Eleitoral. De acordo com o Ministério Público Eleitoral, ele teria utilizado recursos de origem ilícita na campanha. Cristófaro, no entanto, obteve uma decisão favorável no STF (Supremo Tribunal Federal) e voltou à Casa.
Logo na primeira sessão, ele se referiu ao vereador Thammy Miranda (PL) no feminino. "Cumprimentar a Thammy, quem vi nascer, filha da Maria Odete."
Chamado de Camilinho por colegas na Casa, ele colecionou desafetos nos dois mandatos, o que de fato inflamou ainda mais os vereadores nesse processo de cassação. No ano passado, Cristófaro se envolveu em discussões com Adilson Amadeu (União Brasil) no grupo de WhatsApp com demais legisladores.
Em 2019, chamou o vereador Fernando Holiday (Novo) de macaco de auditório. No ano anterior, puxou os olhos se referindo ao vereador George Hato (MDB), que tem ascendência japonesa.
Ele ainda foi acusado pela auxiliar de enfermagem Dilza Maria Pereira da Silva por injúria racial. O caso tramita na Justiça.
Em março de 2022, ele também teria xingado uma mulher de vagabunda durante visita do prefeito Ricardo Nunes (MDB) no bairro Parque Bristol, conforme boletim de ocorrência. "Isso é mentira, você tem vídeo que mostra [a confusão]?", disse o vereador à reportagem, à época, antes de desligar o telefone.
Antes de assumir a cadeira de vereador, Cristófaro fez parte nas administrações dos prefeitos Jânio Quadros, como oficial de gabinete, Pitta (presidente da CET durante um mês) e Marta Suplicy (diretor da Prodam, Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo).
Tornou-se chefe de gabinete da presidência da Câmara nas gestões de Antonio Carlos Rodrigues (PR), de 2007 a 2010, e de José Américo (PT), em 2013-14.
Com informações da Agência FolhaPress

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