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Especial Palácio Anchieta - 470 anos
Fachada principal do Palácio Anchieta, em 1987 Gildo Loyola/Arquivo A Gazeta
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470 anos: Palácio Anchieta é o prédio mais antigo de uma sede de governo no Brasil

Das 27 sedes em uso no país, a maioria foi edificada depois do século XIX. Apenas no Espírito Santo e em outros dois Estados, os prédios datam do período colonial

Iara Diniz

Repórter

idiniz@redegazeta.com.br

Publicado em 22 de Julho de 2021 às 01:00

Publicado em

22 jul 2021 às 01:00
Especial Palácio Anchieta - 470 anos
Fachada principal do Palácio Anchieta, em 1987 Crédito: Gildo Loyola/Arquivo A Gazeta
Do topo da Cidade Alta, o Palácio Anchieta atrai olhares de quem passa pelo Centro de Vitória, Capital do Espírito Santo. Ocupando uma área de 7 mil metros quadrados, que comportam 135 cômodos, o edifício impressiona pelo tamanho. Mas não apenas as 20 sacadas do lado externo que chamam atenção.
Fundado em 1551 para ser igreja, o conjunto arquitetônico é rico também em história. Com paredes em pé há quase cinco séculos, é a construção mais antiga a abrigar uma sede de governo no Brasil. São 470 anos, comemorados no próximo domingo, 25 de julho de 2021.
"O Palácio Anchieta foi sede de governos no período colonial e imperial e continuou como sede na República", afirmou o historiador Fernando Achiamé.
"Em Estados tão antigos como o nosso, as velhas sedes dos governos ou foram destruídas ou mudadas para outros locais"
Fernando Achiamé - Historiador
Diferentemente da maioria dos prédios onde hoje se encontram os Executivos estaduais, que foram construídos durante o século XIX, o Palácio Anchieta começou a ser edificado com mão de obra indígena, ainda no século XVI.
A construção se deu com a chegada dos jesuítas à então Capitania do Espírito Santo e, inicialmente, contemplava um espaço para moradia e adoração. Segundo Achiamé, na primeira parte da obra foram utilizados materiais precários, como palha e madeira.

1551

FOI O ANO EM QUE O PRÉDIO DO PALÁCIO ANCHIETA COMEÇOU A SER CONSTRUÍDO
Só depois é que foi executado um prédio feito de pedra argamassa com cal, obtida de conchas e misturada com óleo de baleia, "que deveria durar enquanto o tempo durasse". A conclusão dessa segunda parte levou quase 200 anos e incluiu a edificação da Igreja de São Tiago e do colégio de jesuítas.
A utilização como sede de governo veio em 1798, após a expulsão dos jesuítas da capitania. A partir daí, o prédio passou a ser ocupado por autoridades designadas para governar a Capitania e posteriormente interventores, presidentes de Estado e governadores.
“É um prédio que traz elementos que marcam a sucessão de épocas, de grupos sociais que agem uns sobre os outros, o avanço da história”, disse o arqueólogo Luiz Viva, que participou da obra de restauro do Palácio, iniciada em 2004.
Quando o edifício foi batizado de Palácio Anchieta, muitos governadores já tinham passado por lá. Foi em 1945, no governo de Jones dos Santos Neves. O nome é uma homenagem ao padre José de Anchieta, que ali dentro foi enterrado. Hoje, o local mantém um espaço reservado para o jesuíta, com um túmulo simbólico.
Matéria especial sobre o Palácio Anchieta, Sede do Governo do ES
Túmulo simbólico de Padre José de Anchieta é preservado dentro da sede do governo do Espírito Santo Crédito: Fernando Madeira
Das 27 sedes de governo em uso no país, a maioria foi edificada depois do século XIX. O Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, por exemplo, foi construído em 1853. O Palácio Bandeirantes, em São Paulo, em 1964. Já a sede mais nova, que é o Palácio Rio Madeira, em Rondônia, foi inaugurada em 2015.
Longevidade semelhante a do Palácio Anchieta só é possível encontrar nas governadorias da Paraíba e do Maranhão que, assim como no Espírito Santo, foram construídas ainda no período colonial e continuam em uso.
O Palácio da Redenção, na Paraíba, tem uma história semelhante à da sede capixaba. Lá, os jesuítas também foram responsáveis pela edificação do prédio, que começou em 1586. Enquanto que no Maranhão, o Palácio dos Leões foi construído em 1612.
Para ter a funcionalidade de sede de governo, o Palácio Anchieta passou por uma série de adaptações. A primeira grande reforma aconteceu durante o governo de Jerônimo Monteiro, entre 1908 e 1912. Naquele período, todo o exterior do prédio foi reformado, algumas partes derrubadas e outras construídas.
Uma das principais intervenções foi a mudança da fachada principal, posicionada de frente para o Porto de Vitória. Segundo o arqueólogo Luiz Viva, as alterações deram ao Palácio uma nova cara, que visava a apagar o passado colonial.
"Tanto em termos estéticos e arquitetônicos quanto sociais, era necessário mostrar que a sociedade brasileira era nova, não era mais colonial. Essa reforma do Palácio Anchieta refletia a superação de um momento", pontuou.
Reforma realizada no Palácio Anchieta durante governo de Jerônimo Monteiro
Reforma realizada no Palácio Anchieta durante governo de Jerônimo Monteiro Crédito: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo
A segunda grande reforma aconteceu cerca de 20 anos depois, quando João Punaro Bley era o interventor do Estado, em 1935. Dessa vez, as maiores intervenções foram internas, com ampliação de espaço para abrigar as repartições públicas.
Ao longo dos anos, o uso do Palácio como sede de governo foi se revelando cada vez mais insustentável, já que abrigava um número extenso de secretarias e servidores. Foi então que, em 2004, o então governador Paulo Hartung realizou o primeiro restauro do prédio.
Boa parte dos serviços foram abrigados em outros edifícios e apenas a governadoria continuou funcionando no local. Além disso, o Palácio recebeu um novo uso, sendo aberto para visitas públicas.
Fotos do restauro
Restauro do Palácio Anchieta aconteceu entre 2004 e 2009 Crédito: Arquivo Palácio Anchieta
Apesar de críticas às constantes intervenções que foram feitas no Palácio ao longo dos anos, muitas delas alterando as características originais do prédio, o historiador Estilaque Ferreira avalia que o edifício só se manteve como sede de poder por séculos devido às adaptações que foram feitas. Caso contrário, a história seria semelhante a das sedes de outros Estados brasileiros, que deixaram de ser utilizadas.
"A estrutura tinha que ser adaptada, principalmente em seu interior, para que continuasse a funcionar como sede do governo. Caso contrário, ele seria abandonado, como aconteceu com muitos outros no país. Ele só tem essa longevidade por causa dessas intervenções", opinou.
"O Palácio Anchieta representa uma parte importante da história e da identidade capixaba. E o fato de o governo funcionar ali, permite que as pessoas a conheçam"
Estilaque Ferreira - Historiador
Segundo registros, a mudança de sede aconteceu em pelo menos nove Estados, alguns deles tão antigos quanto o Espírito Santo.
No Ceará, o Palácio da Luz, edificado em 1808, abrigou o governo cearense até 1960. Por causa da estrutura, que já não comportava mais o uso para aquela finalidade, o edifício foi transformado em uma grande biblioteca. Desde 1989, a Academia Cearense de Letras funciona no local.
Já o Palácio da Abolição, construído em 1970, se tornou o local oficial de despachos do governador do Ceará.
Situação semelhante ocorreu em outros Estados, como Santa Catarina e São Paulo. Por mais de dois séculos, o Palácio Cruz e Souza, construído em 1739, foi a sede do governo de Santa Catarina. Em 1986, o edifício foi tombado como patrimônio histórico do Estado e transformado em museu. Desde 2003, o Executivo Estadual funciona em um edifício do Centro Administrativo.
Enquanto em São Paulo, o Palácio Campos Elíseos, construído em 1896, deixou de ser sede após um incêndio em 1967. Atualmente, o governador João Doria (PSDB) despacha do Palácio dos Bandeirantes.

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