Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Venda e compra de ações

A breve história da pequena, mas rica Bolsa de Valores do ES

Empresa do mercado de capitais nasceu há 52 anos e foi importante para abrir espaço para companhias capixabas para o mercado internacional. Entenda o que aconteceu com ela

Publicado em 21 de Fevereiro de 2021 às 13:22

Luiza Marcondes

Publicado em 

21 fev 2021 às 13:22
Balcão de negócio da Bolsa de Valores do Espírito Santo
Balcão de negócio da Bolsa de Valores do Espírito Santo Crédito: A Gazeta/Arquivo
Ruralbank, 6º andar. Foi ali, em dois escritórios do imponente prédio na Praça Oito de Setembro - no Centro da Capital capixaba - que funcionou a Bolsa de Valores do Espírito Santo.
Inaugurado em 1967 para abrigar o Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo - atual Banestes, o edifício Ruralbank com seus 22 andares, era o mais alto construído na cidade até então e já foi considerado o mais importante da cidade de Vitória. Além do banco, as salas eram ocupadas por consultórios médicos, odontológicos, escritórios de advocacia e de serviços financeiros.
De arquitetura moderna e no coração da efervescência econômica do Estado, o Ruralbank era a sede do mercado de capitais capixaba. Mas, para contar essa história, esqueça da ideia de um mercado financeiro agitado - com as ações acompanhadas em tempo real - e das cenas de filmes com centenas de corretores ao telefone de olho em um telão como em Wall Street.
A Bolsa do Espírito Santo, que nasceu em 19 de abril de 1968 após autorização do Banco Central, era composta apenas por seis corretores. Naquela época, uma ligação telefônica para efetuar a compra de ações de uma empresa de fora do Estado podia demorar até seis horas para ser completada. Depois disso, o comprador podia sentar e esperar.
A titularidade da ação de uma empresa capixaba demorava 20 dias para ser transferida ao novo dono e essa espera poderia atingir meses quando a ação comprada era de uma empresa de outra Unidade da Federação.
Presidente da Bolsa de Valores do Espírito Santo, Marcus Fundão Pessoa segura reportagem da época
Presidente da Bolsa de Valores do Espírito Santo, Marcus Fundão Pessoa segura reportagem da época Crédito: Luiza Marcondes/ A Gazeta

ORIGEM

A Bolsa do Espírito Santo teve origem na antiga Bolsa de Fundos Públicos, que funcionava no Estado desde 1933. Naquele ano, uma resolução do Banco Central permitiu que os corretores se organizassem também para comercializar ações.
“Os corretores de fundos públicos faziam, basicamente, operações de câmbio. Quando exportava minério de ferro, por exemplo, era necessário trocar dólar por real. Quando comprava uma locomotiva, por exemplo, de outro país, tinha que fazer o contrário e trocar real por dólar. Então esses corretores faziam essa moderação”, explicou Marcus Fundão Pessoa, presidente da Bolsa de Valores do Espírito Santo em 1974.
A Bolsa começou a funcionar com pregões diários efetivamente em 1971, comercializando ações de quatro empresas. O Espírito Santo vivia o início da industrialização e apenas a Real Café, o Banestes, a Telest e a Ramiro (que virou a indústria alimentícia Alcobaça) tinham capital aberto no Estado. 
Quem fosse conhecer o escritório se deparava com um balcão de negócios, onde os seis corretores anunciavam as ações que tinham disponíveis, e com o quadro em que um funcionário escrevia à giz as operações de compra e venda.
Prédio do RuralBank fica localizado no centro de Vitória
Prédio do RuralBank fica localizado no centro de Vitória Crédito: Google Earth/Reprodução
Esse papel de anotar a movimentação financeira foi exercido, entre 1971 e 1974, pelo superintendente da instituição, Dilton Lírio Netto.
“Eu entrei na Bolsa em 1971, na função de superintendente geral. Minhas atribuições eram coordenar os serviços gerais e presidir os pregões. A gente tinha uma área reservada com balcão, que delimitava os espaços e, na parede do fundo, um quadro negro onde eu registrava a giz as operações”, relembrou Netto.
Concluída a operação de compra e venda, Dilton relatou que elas eram escritas em um boleto manuscrito por ele com o tipo, valor e quantidade de ações. “Esse boleto, bem simples, era assinado pela corretora credora, pela que comprou e por mim, validando a negociação como representante da Bolsa.”
Em 1972, a Bolsa do Espírito Santo entra para o mercado nacional, podendo comercializar os papéis de qualquer empresa inscrita em uma das 14 bolsas que existiam no país.
Com isso, investidores do Espírito Santo podiam, por exemplo, comprar ações da Vale do Rio Doce, Petrobras e Banco do Brasil, ambas com sede no Rio de Janeiro. A mesma coisa acontecia com as empesas daqui, que podiam ter as ações compradas por interessados de fora do Estado. 
Operações financeiras eram escritas em quadro negro
Operações financeiras eram escritas em quadro de giz Crédito: A Gazeta/Arquivo
Apesar de essa abertura para o mercado nacional dar maior liquidez às ações, a dificuldade de comunicação entre os corretores e as Bolsas era um problema, como lembra o economista Marcus Fundão Pessoa:
“Naquela época era um problema de comunicação terrível. Para você comprar uma ação em uma empresa de outro Estado, você tinha que ligar para uma telefonista e esperar seis horas em uma fila para conseguir uma linha.”
O superintendente da época levanta outro problema. Com a mudança no valor das ações, essa demora na comunicação também fazia com que a pequena Bolsa do Estado ficasse para trás nas negociações.
“Às vezes, a corretora vendia por um preço. Logo depois, o valor das ações dispararam nas Bolsas do Rio ou de São Paulo, mas estava feito e não seria mudado”, disse Lírio Netto.
Depois de formalizada a compra, o dono dos novos títulos ainda tinha que esperar dias até a posse definitiva. Uma reportagem do jornal A Gazeta, publicada em 21 de abril de 1974 contando a rotina da Bolsa, explica que isso fazia parte de uma política da época para evitar especulação financeira por pessoas que queriam ganhar dinheiro a curto prazo.

FUSÃO

Em 1974, a Bolsa do Espírito Santo iniciou um processo de fusão com a de Minas Gerais. Maior e mais estruturada, ela já contava com mais empresas na cartela e também um número maior de corretores.
Isso aconteceu porque o Banco Central passou a exigir que Bolsas pequenas como a do Estado aumentassem o número de corretores ou se incorporassem a uma maior, formando assim uma estrutura regional. O conselho diretor da bolsa do Espírito Santo optou pela segunda opção.
A escolha pela Bolsa mineira foi mera casualidade. Inicialmente, a vontade dos diretores era que a incorporação acontecesse com a do Rio de Janeiro, até então a mais importante Bolsa brasileira.
“A gente procurou o Rio de Janeiro, mas a nossa zona fiscal era Minas Gerais. A nossa Bolsa aqui era muito pequenininha e a de Minas já era muito maior, então quando a gente fundiu, a sede ficou em Belo Horizonte e a nossa foi transformada em um escritório com um terminal de telex”, contou Marcus.
A unificação foi decidida em uma assembleia conjunta entre representantes do Espírito Santo e de Minas Gerais no dia 30 de dezembro de 1974. Dessa assembleia, surgiu a Bolsa de Valores Minas Espírito Santo (Bovmesp), que passou a reunir 40 sociedades corretoras.
Com a fusão, qualquer outra corretora que desejasse entrar no mercado capixaba de capitais deveria integrar uma das seis sociedades existentes no Estado. Eram elas a Sociedade Corretora de Câmbio e Valores Mobiliário César Santos Neves; Sociedade Corretora de Câmbio Lima e Lima; Essa Corretora Espírito Santo; Sociedade Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Camargo; Real Sociedade Corretora de Títulos Mobiliários e Câmbio; e a Uniletra.
Dois anos depois, a Bolsa de Valores de Minas Gerais e Espírito Santo passou por uma nova incorporação. Dessa vez, essa junção deu origem a Bovmesb, aglutinando também Brasília, e passa a representar o comércio de ações também dos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins.
A Bovmesb deixou de operar em junho de 2000, quando foi incorporada a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - atual B3, a bolsa brasileira. Em um comunicado no site, a instituição informou que a reestruturação teve o objetivo fortalecer a liquidez e aumentar a competitividade do mercado acionário nacional no mercado internacional.
"Nossa fusão deu uma grande repercussão no mercado geral e outras Bolsas foram passando por isso também até ser tudo centralizado em São Paulo. Esse era o nosso sonho. Uma bolsa forte e totalmente automatizada", comemora Marcus Fundão Pessoa. 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Frango malpassado: entenda os riscos à saúde e como evitar contaminações
O USS Nimitz (CVN 68) vai navegar pela costa sul-americana durante a Southern Seas 2026
Porta-aviões nuclear dos EUA virá ao Rio em missão de demonstração
Lúcio Wanderley Santos Lima Filho foi morto a tiros no bairro Bebedouro, em Linhares
Homem é assassinado a tiros após confusão em festa em Linhares

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados