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Vitor Jubini
Memórias e histórias

Achamos a filha de Expedito Garcia, empresário que dá nome a avenida

Anna Lilia, de 83 anos, revela detalhes e acervo inédito daquele que transformou o bairro Campo Grande, em Cariacica

Nayra Loureiro

Repórter

nvieira@redegazeta.com.br

Publicado em 22 de Setembro de 2024 às 08:29

Publicado em

22 set 2024 às 08:29
Anna Lília Garcia, filha de Expedito Garcia, e seu esposo Abner Romano
Anna Lilia Garcia, filha de Expedito Garcia, ao lado esposo Abner Romano Crédito: Vitor Jubini
Quantas memórias valiosas podem ser reveladas por quem testemunhou os feitos de um homem à frente do tempo? A reportagem de A Gazeta teve o privilégio de conhecer Anna Lilia Garcia Romano, filha de Expedito Garcia. Aos 83 anos, ela revela detalhes e acervo inédito daquele que transformou o bairro Campo Grande, em Cariacica — a quem teve a honra de chamar de pai.
Expedito Garcia comemorando o aniversário dos filhos Anna Lilia e Gilberto
Expedito Garcia comemorando o aniversário dos filhos Anna Lilia e Gilberto Crédito: Vitor Jubini | Acervo da família
Expedito Garcia é quem dá nome à principal avenida de Cariacica, município da Grande Vitória, no Espírito Santo, e, apesar dos grandes feitos, teve morte precoce em um trágico acidente aéreo em São Paulo. Já foi tema de uma Capixapédia que conta todos os detalhes sobre ele enquanto profissional. Mas, agora, vamos falar um pouco mais sobre família, já que achamos uma das filhas dele, praticamente um tesouro histórico. 
Muito mais do que um empreendedor visionário, Expedito era um pai presente e atencioso. Apesar dos inúmeros compromissos em virtude dos negócios que comandava, como a Imobiliária Itacibá e a Companhia Comercial de Couros, o tempo dedicado à família era uma prioridade.
Expedito Garcia junto com a esposa e os cinco filhos
Expedito Garcia, a esposa e os cinco filhos que tiveram Crédito: Vitor Jubini | Acervo da família
Expedito casou-se com Lilia Nuro e os dois tiveram cinco filhos: Gilberto, Anna Lilia, Maria Lucia, José e Expedicto. Apenas Anna Lilia, que mora em Vitória, e José,  morador de Vila Velha, estão vivos. 
Natural do Rio de Janeiro, Expedito aproveitava as férias para visitar a terra natal com a família. Sem deixar de lado as belezas capixabas, a Praia da Costa, em Vila Velha, também fazia parte do roteiro dos Garcia. Os passeios ficaram registrados na memória e em fotos que Anna Lilia guarda com valor inestimável. “A gente viajava muito e ele era muito participativo. Por isso, o que eu lembro dele é mais o pai Expedito e não aquele que fez a imobiliária”, contou Anna Lilia.
Reprodução. Acervo da família de Expedito Garcia
Anna Lilia mostrando as recordações que guarda do pai Crédito: Vitor Jubini
Anna Lilia perdeu o pai quando tinha 19 anos. Expedito morreu em um acidente aéreo no dia 23 de setembro de 1959, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando o empresário alcançava o auge das atividades. A irmã dela, Maria Lúcia, de 17 anos, também estava no avião. Ninguém a bordo sobreviveu. 
"Na época que ele morreu eu era muito nova. Antigamente, as pessoas até conheciam o meu pai. Hoje em dia poucos sabem quem era ele. Quando faleceu já tinha a avenida, só não tinha o nome dele”, lembrou Anna. Um ano após a tragédia, ela se casou com Abner Romano, com quem teve três filhos.

CORAGEM E OUSADIA

Vitor Jubini | Acervo da família
Expedito Garcia andando pela Avenida Jerônimo Monteiro, em Vitória Crédito: Vitor Jubini | Acervo da família
A vinda de Expedito Garcia do Rio de Janeiro para o Espírito Santo não foi um acaso. A filha revelou que a decisão foi fruto de uma proposta feita pelo cunhado de Expedito, Arthur Mazzeli. Ele era um homem de negócios, estava formando uma exportadora de couros na cidade de Vitória e convidou Expedito para uma sociedade.
Mestre na arte de transformar desafios em oportunidades, Expedito aceitou a proposta e veio morar em terras capixabas. “Eu lembro, quando eu tinha uns 10 anos, e papai saía de casa à noite para compromissos, com ele não tinha tempo ruim. Ele não teve dúvida e veio para o Espírito Santo para o que desse e viesse. E deu certo. Ele trabalhou muito, eu acompanhei” contou.
Reprodução. Acervo da família de Expedito Garcia
Filha de Expedito Garcia mostra acervo inédito do pai  Crédito: Vitor Jubini
Na época em que participou da exportadora, Expedito frequentava um abatedouro para escolher os couros, mas, visionário, percebeu que tinha sobra de muita gordura bovina. Acreditando na possibilidade de aproveitar os resíduos, criou uma fábrica de sebo para abastecer locais que produziam sabão.
Anna também conta que havia as chamadas "canelinhas" de bois. Expedito viu a oportunidade de exportar para empresas que fabricavam farinha. “Ele ia criando as coisas. Inclusive, tinha até feito um empréstimo para aumentar a fábrica de sebo, mas mamãe, ao ficar viúva, acabou desfazendo o negócio”.
Anna Lília Garcia, filha de Expedito Garcia, Abner Romano, Lívia Romano Brocco (cabelo castanho), Carolina Romano Brocco (loira)
Anna Lilia Garcia, filha de Expedito Garcia, o esposo Abner Romano e as netas Lívia Romano Brocco e Carolina Romano Brocco Crédito: Vitor Jubini
A viúva de Expedito faleceu 12 anos após a morte do empresário, no dia 29 de março de 1971, aos 61 anos. Os negócios que restaram seguem tocados pelo esposo de Anna Lilia, Abner Romano — uma forma de manter vivo o legado daquele que não via obstáculos quando o assunto era empreender.
Ao contar essa história, as palavras de Anna Lilia deixam claro o orgulho e a saudade que tem do pai. Aliás, são esses os sentimentos descritos por ela quando indagada sobre o que sente ao escutar o nome Expedito Garcia. “Eu acompanhei tudo e gosto de vê-lo valorizado. Ele veio pra cá aceitando uma proposta de trabalho e desenvolveu tudo de uma maneira absoluta e perfeita”, finalizou, emocionada.

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