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Crianças em bondinhos em Vitória
Arquivo fotográfico de bondinhos em Vitória Nestor Muller | Cedoc A Gazeta
Memória e nostalgia

Bondinhos no ES e a época cheia de curiosidades e lembranças

Os primeiros bondes percorreram as ruas de Vitória a partir de 1900; veja imagens e registros de quando eles eram o único meio coletivo de locomoção por aqui

Caroline Freitas

Repórter

cfreitas@redegazeta.com.br

Publicado em 30 de Março de 2025 às 08:05

Publicado em

30 mar 2025 às 08:05
Cenas da cidade em 1983
Arquivo fotográfico de bondinho em Vitória Crédito: Nestor Muller | Cedoc A Gazeta
Muito antes da expressão "mil novecentos e lá vai bolinha", a mobilidade dos capixabas era conduzida pelos nostálgicos bondinhos. E assim por décadas e décadas foi o transporte coletivo. Estamos falando de uma época que nem mesmo a eletricidade tinha chegado direito ao Espírito Santo, no início do século passado.
Os primeiros bondes que percorreram as ruas da Capital capixaba, na década de 1900, funcionavam a partir da tração animal, sendo puxados, geralmente, por burros. No início, tinham capacidade para 25 pessoas e, em alguns trechos mais íngremes do Centro de Vitória, os passageiros tinham que descer e ajudar a empurrá-los.
Depois, vieram os bondinhos sobre trilhos e, nos anos seguintes, com a chegada da eletricidade, os bondes a tração elétrica. Estes passaram a ser mais usados já que eram mais rápidos que os modelos anteriores.
A época dos bondinhos em Vitória
A época dos bondinhos em Vitória Crédito: Arquivo Público do Espírito Santo

FISCALIZAÇÃO

Cada bonde era capaz de transportar dezenas de passageiros, e, de acordo com registros históricos, pelo menos três pessoas integravam a equipe responsável por um único veículo: um motorneiro, que era responsável pela condução; um condutor, como era chamada a pessoa que cobrava as passagens; e um fiscal, que fazia a contagem daqueles a bordo.
Na rua Coronel Monjardim, passageiros ajudavam a empurrar o bonde
Na Rua Coronel Monjardim, passageiros ajudavam a empurrar o bonde Crédito: Cedoc A Gazeta

TRANSPORTE PARA CASAMENTOS E ATÉ FUNERAIS

Havia diversos tipos de bondes, que eram diferenciados por linhas, mas também por finalidade. Além de facilitar a vida dos trabalhadores que precisavam se deslocar de um ponto a outro, os bondinhos tinham funções diversas, entre elas transportar mortos da Catedral ao Cemitério de Santo Antônio, na Capital.
Esse modelo especial funcionou até o início da década de 1940, mas também existiam os bondes de casamento e até os exclusivos para transporte de legumes e verduras no comércio.

"BONDE DAS ALMAS"

Havia ainda um bonde para os retardatários, que saía da Praia do Canto, às 2 horas, seguindo até Santo Antônio. Era o chamado “bonde das almas”, que circulava apenas na madrugada e, muitas vezes, consistia na última oportunidade para alguém retornar para casa antes do nascer do sol.
Crianças em bondinhos em Vitória
Arquivo fotográfico de bondinhos em Vitória Crédito: Nestor Muller | Cedoc A Gazeta

'VOLTINHA' EM BONDE ROUBADO

Outros acontecimentos também marcaram madrugadas daquela época na Capital. Considerados "estripulias dos rapazes das décadas de 1940 e 1950", furtos de bondinhos para 'dar uma voltinha' eram também registrados.

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ACIDENTES NO PERCURSO

Nem tudo eram flores. Ao longo dos anos, foram registrados acidentes como atropelamentos, descarrilamentos e engavetamentos. Houve ainda diversos registros de quedas de passageiros com os bondes em movimento.
Bondinhos deixaram de circular na década de 1960, com popularização dos ônibus coletivos
Bondinhos deixaram de circular em meados da década de 1960 com a popularização dos ônibus coletivos Crédito: Cedoc A Gazeta

CIRCUITO ATÉ VILA VELHA

Além de percorrer as ruas da Capital, os bondes foram adotados em Vila Velha, circulando do Centro do município até Paul. O circuito se interligava, de certo modo, ao de Vitória, sendo que era preciso pegar barcas para atravessar de um município ao outro, a exemplo do que acontece hoje com os ônibus do Transcol e as embarcações do Aquaviário.
Atualmente, o único bonde restante — mas só para admiração — é o de número 42, em exposição permanente na Casa da Memória, localizada na Prainha, em Vila Velha.

O FIM DOS BONDINHOS

Registro de bondinho em 1983
Bondinhos eram a única forma de transporte coletivo antes da chegada dos ônibus Crédito: Nestor Muller | Cedoc A Gazeta
Os modelos deixaram de circular por Vitória e Vila Velha até meados da década de 1960, quando foram extintos devido à popularização dos ônibus coletivos. Agora, restam apenas lembranças documentadas em registros históricos.

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