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Suposto 'disco-voador' foi avistado na Ilha de Trindade em janeiro de 1958, pelo fotógrafo Almiro Baraúna Geraldo Netto | A Gazeta
"Almirante Saldanha"

ETs no ES? O dia em que um OVNI foi 'avistado' na Ilha da Trindade

Imagens foram tiradas em 1958 pelo fotógrafo Almiro Baraúna; amigos e familiares afirmam que os registros não seriam verídicos, mas há quem acredite na veracidade da visitinha dos extraterrestres no território capixaba

Maria Fernanda Conti

mfconti@redegazeta.com.br

Publicado em 04 de Maio de 2023 às 18:00

Publicado em

04 mai 2023 às 18:00
Suposto 'disco-voador' foi avistado na Ilha de Trindade em janeiro de 1958, pelo fotógrafo Almiro Baraúna Crédito: Geraldo Netto | A Gazeta
A aparição misteriosa de um objeto voador não identificado (OVNI) nos anos 1950 colocou o Espírito Santo – mais especificamente a Ilha da Trindade – nos holofotes do mundo inteiro. Flagradas pelas lentes do fotógrafo baiano Almiro Baraúna, as imagens do suposto disco-voador marcariam a história do Estado com teorias conspiratórias e pitadas de contradição — já deixamos claro aqui: este episódio nada tem a ver com o icônico ET de Aracruz, ok
O caso começou a ganhar repercussão no dia 16 de janeiro de 1958, durante uma expedição da Marinha do Brasil. Segundo um relatório da força militar, ao qual A Gazeta teve acesso, Baraúna acompanhava mergulhadores a fim de fazer fotografias submarinas. No entanto, já em alto-mar e dentro da embarcação "Almirante Saldanha", um objeto diferente foi avistado pela tripulação.
Assinado pelo capitão Carlos Alberto Ferreira Bacellar, o documento – que era confidencial na época – listava as atividades realizadas no Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade entre 1º de novembro de 1957 e 16 de janeiro de 1958. E foi nele também que o oficial narrou, com detalhes, como tudo teria acontecido.
ET's no ES? O dia em que um OVNI foi 'avistado' na Ilha da Trindade
Suposto OVNI foi avistado na Ilha de Trindade em janeiro de 1958, pelo fotógrafo Almiro Baraúna
Objeto foi registrado durante expedição de fotógrafo baiano à ilha Crédito: Arquivo | Marinha do Brasil
"Encontrava-me no camarote, nesse momento, e subi imediatamente ao tombadilho, onde encontrei várias pessoas um pouco excitadas com o que haviam visto, entre essas o sr. Almiro Baraúna [...]. Esse sr. Baraúna era um dos mais excitados por haver batido diversas chapas do objetivo e estar em grande expectativa, duvidando que tivesse obtido resultado positivo", escreveu.
Para garantir que as imagens não seriam adulteradas, o capitão, segundo afirmou, teria acompanhado o fotógrafo até a câmara fotográfica. Contudo, devido ao calor que fazia no local, ele permaneceu do lado de fora por cerca de 10 minutos, até que Baraúna retornou com as negativas em mãos. 
"Saindo da câmara, ainda com o filme na bacia, vi-o retirá-lo e assisti à sua decepção quando, bastante nervoso, supôs que não obtivera êxito. Tomei do filme, examinei-o melhor e, em três negativos e em posições diferentes, notei a presença de uma estranha mancha que mais tarde foi perfeitamente identificada. O filme ficou em poder do senhor Baraúna"
Carlos Alberto Ferreira Bacellar - Capitão 
Ainda de acordo com ele, aquela não teria sido a primeira vez que o OVNI foi avistado. Há registros também nos dias 31 de dezembro, quando o objeto é descrito como "bem achatado, cor de aço inoxidável, a cerca de 1600 metros de altitude", e 1º de janeiro. Os relatos dão conta, inclusive, que mais de 20 homens viram o objeto nesse período. 
Objeto foi registrado durante expedição de fotógrafo baiano
Fotografias foram tiradas em alto-mar e, segundo relatos, na presença de tripulantes e oficiais  Crédito: Acervo | Marinha do Brasil

Repercussão

Por conta da grande repercussão na época, muitas teorias começaram a surgir, sobretudo aquelas que desacreditavam Baraúna. Além de alguns tripulantes terem negado que viram o objeto, o fato do fotógrafo ter feito a revelação sozinho levantou a desconfiança da mídia. A principal hipótese era de que Baraúna teria levado o filme para casa, sem a fiscalização dos militares, e adulterado o material.
Uma matéria do jornal O Globo, no mesmo ano de 1958, também pesou contra o fotógrafo. É possível constatar que próprio veículo tentou induzir o leitor a acreditar que tudo não passava de uma farsa, com a manchete "O fotógrafo estava só quando revelou o filme".
Matéria do jornal O Globo levantou a desconfiança de que Baraúna teria forjado imagens
Reportagem do jornal O Globo levantou a desconfiança de que Baraúna poderia ter forjado imagens Crédito: Arquivo | O Globo
Almiro Baraúna nunca confirmou, publicamente, se fraudou as imagens ou não. Nas diversas entrevistas para a imprensa, ele deu detalhes minuciosos de como conseguiu flagrar o "disco-voador" e descreveu, passo a passo, a técnica utilizada na fotografia. Ele conta, inclusive, que alguns filmes até foram perdidos, pois, durante a euforia do momento, focalizou a câmera apenas no mar.

Desmentindo as fotos 

Cerca de 50 anos depois da divulgação das fotos, o programa jornalístico Fantástico, da TV Globo, revisitou o caso e fez uma entrevista exclusiva com Emília Bittencourt, amiga de Baraúna, em 2010. Na ocasião, ela contou o que ouviu da própria boca do fotógrafo: que as imagens foram forjadas, ou seja, eram uma montagem. Ele faleceu no ano 2000. 
Objeto foi registrado durante expedição de fotógrafo baiano
Ao todo, quatro imagens flagraram o suposto disco-voador da ilha Crédito: Acervo | Marinha do Brasil
"Ele pegou duas colheres, juntou, e improvisou uma nave espacial e usou de pano de fundo a geladeira da casa dele. Ele fotografou na porta da geladeira um objeto com a iluminação perfeita porque ele calculou tudo e não era bobo. Ele ria muito", disse Emília ao Fantástico. O acervo de Baraúna está com uma sobrinha dele, que não quis gravar entrevista, mas confirmou a fraude.
Apesar disso, muitas pessoas até hoje não aceitam essa versão e acreditam na veracidade das imagens. E você? Também acredita no OVNI da Trindade?

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