Rodoviárias são pontos de passagem, cenários de momentos efêmeros entre chegar e partir. Localizada na Ilha do Príncipe, próximo ao Centro da Capital, a de
Vitória é o ponto de interligação com todas as regiões do
Espírito Santo e do país. Um detalhe em especial, e desconhecido da maioria dos capixabas, chama a atenção na construção do espaço, que foi pensado para ter o formato do mapa do Estado.
Antes de o terminal atual ser construído às margens da
Baía de Vitória, os capixabas se concentravam em uma pequena rodoviária erguida em 1963 pela Viação Itapemirim na Rua Misael Pena, região central da Capital.
Historiadora, especialista em Filosofia Africana, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (
Ufes), Leonor Araújo conta que o antigo terminal rodoviário era chamado de Rodoviária Barão Monjardim e Rodoviária Parque Moscoso, pela proximidade com o tradicional parque. O local, no entanto, era tão pequeno que estava mais para um ponto de ônibus.
A historiadora relembra que na década de 60 começaram os grandes projetos industriais da área de Vitória, concretizados na década de 70, um período de erradicação dos cafezais e êxodo rural. Neste período, parte da população rural do Estado foi morar na Grande Vitória, em busca de uma vida melhor.
“O fluxo cresceu muito e ficou insuportável, o local não tinha infraestrutura, nem lugar para gente sentar. A população que morava ao entorno dessa rodoviária antiga começou a reclamar da movimentação”.
Desde o final da década de 60, havia conversas para projetar um novo terminal rodoviário. O local escolhido foi um bairro à época chamado Miramar, na região da Ilha do Príncipe. O local era um manguezal que foi sendo ocupado e virou uma comunidade muito pobre, com palafitas e casas de madeira.
O
governo do Estado então começou uma longa e difícil negociação, na gestão Élcio Álvares, para desapropriar a área e possibilitar a construção da rodoviária atual.
“No final, o governo retirou as famílias e elas foram levadas para um loteamento novo no município da Serra”, afirma Leonor Araújo.
A historiadora Leonor Araújo explica que a rodoviária atual tinha o nome de Carlos Alberto Vivacqua Campos, conhecido como Bebeto Vivacqua, levando muita gente a pensar que ele é quem projetou o prédio. No entanto, o responsável pelo projeto arquitetônico é outro capixaba, o arquiteto Carlos Maximiliano Fayet.
"O projeto é do Fayet, um cara que nasceu em Domingos Martins, viveu em Rio Grande do Sul. Mas as informações veiculadas são outras. A confusão que se faz ocorre devido ao nome dado originalmente à rodoviária", conta.
Uma Lei estadual de 2010 altera o nome do prédio de Carlos Alberto Vivacqua Campos para Carlos Maximiliano Fayet.
"O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo faço saber que a Assembleia Legislativa aprovou, o Governador do Estado, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição Estadual sancionou, e eu, Elcio Alvares, seu Presidente, nos termos do § 7º do mesmo artigo, promulgo a seguinte Lei: Art. 1º Fica denominado Carlos Maximiliano Fayet o Prédio do Terminal Rodoviário de Vitória, localizado na Ilha do Príncipe, em Vitória. Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Lei nº 4.462, de 14.11.1990", afirma o texto.
A atual
Rodoviária de Vitória foi inaugurada em 13 de março de 1979, no penúltimo dia do fim do mandato de Élcio Álvares. Mais uma vez, o arquiteto demonstrou genialidade ao projetar o prédio com o formato do mapa capixaba.
Com o passar do tempo, alguns dispositivos acabaram sendo inseridos na rodoviária, como a grade de proteção ao redor, mas a estrutura e formato são os mesmos daquela inaugurada em 1979.
"É muito interessante porque essa rodoviária foi pensada para ser um terminal rodoviário, mas também ter um aquaviário. Chegavam alguns barcos, mas a implementação não foi essas coisas não. Tinha um pensamento maior, mas no final não aconteceu", acrescenta.
Leonor Araújo destaca que nessa época o
Aeroporto de Vitória já funcionava, mas o transporte da população do interior para a Capital era todo feito de ônibus. O mapa do Estado, visto quando olhamos a rodoviária de cima, mostra a união de todos os municípios, ao passo em que também serve de metáfora para representar o ponto de encontro de capixabas de todos os municípios.