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Montagem | Arquivo A Gazeta
Para a eternidade

O dia em que um capixaba pescou o maior marlim-azul do mundo

Espírito Santo voltou aos holofotes no cenário da pesca com um peixe meca de 328 quilos pescado em Guarapari. O feito foi impressionante, mas nada igual ao que ocorreu no dia 29 de fevereiro de 1992; Capixapédia te conta

Alberto Borém

Estagiário

abgoncalves@redegazeta.com.br

Publicado em 10 de Janeiro de 2025 às 19:31

Publicado em

10 jan 2025 às 19:31
Capixapédia: em 1992, capixapa pescou o maior Marlim-Azul do mundo
Capixapédia: em 1992, capixaba pescou o maior marlim-azul do mundo Crédito: Montagem | Arquivo A Gazeta
Há quem diga que história de pescador é aquele relato exagerado ou até mesmo mentiroso. No Espírito Santo, o que vem do mar é notícia boa e até mesmo um título mundial. O Estado ocupa parte importante no mapa de pesca de peixes gigantes. Na última segunda-feira (6), um peixe meca, de 328 kg, foi pescado em Guarapari. O feito foi motivo de comemoração na cidade e traz à memória uma história semelhante, também ocorrida no Espírito Santo, há quase 33 anos.
O ano de 1992 foi histórico para os capixabas, sobretudo aos interessados e envolvidos na atividade de pesca em alto-mar. No dia 29 de fevereiro daquele ano, o maior marlim-azul do mundo foi pescado em águas capixabas. Apesar das diferenças entre as duas espécies pescadas, as conquistas de 1992 e de 2025 ficaram marcadas na memória dos capixabas, gerando curiosidade, considerando a dificuldade da pesca e o tamanho dos animais.

328,6 kg

O peso do peixe meca pescado em Guarapari em 2025
Em Guarapari, um grupo de pescadores se mobilizou para pescar o meca e levá-lo para terra firme. Vídeos mostram que um guindaste foi necessário para tirar o peixe de 328 kg da embarcação. De acordo com um dos integrantes da aventura em Guarapari, o exemplar foi pescado a aproximadamente 45 km da costa, ou seja, bem distante da cidade. Após a pesca, o peixe foi levado para o píer de Guarapari, no Centro da cidade.

Meca | Que peixe é este?

O peixe meca, conhecido como Espadarte, é uma espécie de grande porte que costuma ser encontrada em águas profundas, mas ocasionalmente se aproxima da costa. A característica mais marcante é o prolongamento do maxilar superior, formando um "bico" longo que lembra uma espada. A carne do meca é macia e delicada, chamada de "picanha do mar".

Igor Dorea, que é cirurgião-dentista e estava na embarcação, contou ao g1 que integra uma equipe numa competição nacional. A pesca do meca, então, significou uma grande pontuação.
"Saímos cedo de Vitória e pouco mais de uma hora já avistamos ele. O difícil foi conseguir colocá-lo em cima da lancha. Por ser muito pesado, foram mais de quatro horas para conseguir tirá-lo do mar. Foram momentos de muita tensão, um trabalho em equipe. Sem todo mundo ajudando, a gente não ia conseguir"
Igor Dorea - Cirurgião dentista e pescador
O último meca pescado na competição nacional, segundo o dentista, pesava 282 quilos. O peixe pescado em Guarapari tinha aproximadamente quatro metros de extensão. A carne dele é conhecida como "picanha do mar" e foi distribuída após os registros fotográficos e a pesagem.
Se o assunto é o peso dos peixes pescados, o Espírito Santo tem destaque há muito tempo. Em 1992, o maior marlim-azul já fisgado no mundo pesava mais de 600 quilos e media 4,62 metros. Em 2015, a espécie passou a ser considerada peixe-símbolo do Espírito Santo.

636 kg

O peso do marlim-azul pescado em Guarapari em 1992
A pesca impressionante realizada há mais de três décadas está longe de ser considerada história de pescador. Há, inclusive, registro oficial do recorde batido com a pesca do marlim-azul.

Marlim-azul | Que peixe é este?

O marlim-azul é um peixe de grande porte encontrado em águas tropicais dos oceanos Atlântico e Pacífico. A espécie pode superar os quatro metros de comprimento e também pode ser encontrada em águas profundas.

O documento mostra que a International Game Fish Association certificou Paulo Roberto Almeida Amorim pela pesca do peixe mais pesado na categoria.
Família de Paulo Amorim guarda fotos e o título de recorde mundial
Família de Paulo Amorim guarda fotos e o título de recorde mundial Crédito: Montagem | Arquivo pessoal
Em 2019, o repórter de A Gazeta Murilo Cuzzuol conversou com o filho de Paulo Roberto, autor do feito histórico. O pai faleceu em 2006, mas a história continua sendo contada ao longo das gerações. O empresário Raphael Amorim, filho do pescador, lembra com carinho do feito.
"Eu tenho muito orgulho desse feito conseguido por meu pai. Cresci ouvindo ele dizer como foi aquele dia, da luta de horas com o peixe, o cansaço pelo corpo, o susto ao ver o tamanho do animal fisgado. No mundo da pesca, onde meu pai ia, ele era reconhecido e exaltado. Ter essa conquista ainda com minha família é algo especial"
Raphael Amorim - Empresário e filho de Paulo Roberto
Considerando o tamanho e o peso, o peixe precisou ser rebocado, ficando apenas com o bico apoiado na embarcação batizada de "Duda Mares". Após mais de quatro horas de navegação lenta, Paulo Roberto atracou no píer. O trabalho de pesca e transporte fez jus à ideia de um trabalho coletivo: Paulo contou com a ajuda de 28 homens para retirar o animal da água.
Paulo Amorim fez história em 1992 ao pescar o maior Marlim-Azul do mundo
Paulo Amorim fez história em 1992 ao pescar o maior marlim-azul do mundo Crédito: Arquivo A Gazeta
Impactados pela imponência do peixe, as pessoas que estavam no dia da captura trataram de agilizar a documentação para validar o recorde. A aferição foi realizada por Otacílio Coser Filho, na época o representante da IGFA em Vitória. Após ter as barbatanas, bico e cauda enviadas para os Estados Unidos, onde foi confeccionada uma réplica, outras partes do animal foram doadas para entidades filantrópicas de Vitória.
Dificilmente o feito de Paulo Roberto Amorim será batido. Muito por conta da diminuição da quantidade de marlins existentes, como explica Raphael Amorim. Atualmente, a pesca do marlim-azul é proibida.
"Felizmente, hoje o marlim está protegido e a captura dessa espécie está proibida em todo a costa do território brasileiro. Com o passar das gerações, percebeu-se que não havia a necessidade de tirar a vida do animal, mas naquela época não existia essa consciência coletiva", disse o empresário do ramo logístico.
Em dezembro de 2006, o jornal A Gazeta noticiou a morte de Paulo Amorim. O recordista faleceu aos 55 anos em um hospital de Vitória após 67 dias internado em decorrência de um acidente na Rodovia do Sol, em Vila Velha.
Jornal A Gazeta noticiou a morte de Paulo Amorim em 2006
Jornal A Gazeta noticiou a morte de Paulo Amorim em 2006 Crédito: Arquivo | A Gazeta
A cidade de Guarapari, inclusive, tem um monumento turístico na Praia do Morro que faz referência à espécie. O local é muito visitado pelos turistas para registrar o passeio na Cidade Saúde. A estátua foi criado pelo artista plástico Juliano Fillippi em 1998 para homenagear o feito histórico do empresário Paulo Amorim.
Monumento ao Marlim-Azul na Praia do Morro, em Guarapari
Monumento ao marlim-azul na Praia do Morro, em Guarapari Crédito: Marcelo Moryan | Arquivo A Gazeta
O comodoro do Iate Clube, Fabiano Pereira, ressalta que houve uma mudança no comportamento dos pescadores. Atualmente, a pesca esportiva preconiza que a maioria dos peixes pescados seja liberado de volta ao mar, sem ferimentos que impeçam a continuidade da vida do animal. Ele afirma que o Espírito Santo é tratado como referência na pesca em todo o Brasil.
"Vitória é a capital mundial da pesca. E o Iate Clube, com 79 anos de existência, mantém a tradição da pesca, que é esportiva, não predatória. A gente cuida do mar, se preocupa com a pesca e incentiva. Atualmente, vários Estados vêm pescar no Espírito Santo, como Rio de Janeiro e Bahia", explica.
Do marlim-azul ao meca, o Espírito Santo é referência na pesca em alto-mar. As duas histórias, separadas por mais de 30 anos, mostram que o Estado é mesmo um local privilegiado pela natureza. Não é por acaso é conhecido como a "capital mundial" dos peixes da espécie. O Estado também é detentor do maior exemplar já fisgado de marlim-branco, com um animal de 82,5 quilos, pescado em dezembro de 1979.

Marlim e meca | Pescas são permitidas?

Conforme citado pelo próprio filho do Paulo Amorim, a pesca do marlim-azul não é permitida atualmente. O biólogo e especialista em peixes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) João Luiz Gasparini ressalta que a pesca do meca não é proibida.

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