'Pipino inventor' e Congo no Fantástico: as visitas de Maurício Kubrusly ao ES
Montagem | Marcela Tessarolo
Repórter da Globo
'Pipino inventor' e Congo no Fantástico: as visitas de Maurício Kubrusly ao ES
Ao menos duas produções do jornalista, diagnosticado com demência frontotemporal, colocaram Espírito Santo como protagonista; documentário sobre ele estreia nesta quarta (4), no Globoplay
Alberto Borém
Estagiário
abgoncalves@redegazeta.com.br
Publicado em 04 de Dezembro de 2024 às 13:05
Publicado em
04 dez 2024 às 13:05
Capixapédia conta sobre as visitas do jornalista Maurício Kubrusly ao Espírito SantoCrédito: Montagem | Marcela Tessarolo
Dono de uma carreira brilhante, Maurício Kubrusly percorreu mais de 400 mil km ao redor do Brasil. Não à toa, o repórter, que trabalhou muitas décadas no Fantástico, da TV Globo, é conhecido como o jornalista que mais conhece o país. Foram quase 300 reportagens no quadro "Me Leva Brasil", que ficou 17 anos no ar. Ao menos duas produções colocaram o Espírito Santo como protagonista. Do 'Pipino inventor' à cultura do Congo, A Gazeta relembra as visitas dele ao Estado. Além da contação de histórias em rede nacional, ele também esteve em terras capixabas para palestrar para empresários e dirigentes da antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão, a CST.
Aos 79 anos, Maurício Kubrusly vive na Bahia, ao lado da esposa, Beatriz Goulart. Ele recebeu o diagnóstico de demência frontotemporal, condição degenerativa que altera a linguagem, a memória e o comportamento. O documentário "Kubrusly - Mistério Sempre Há de Pintar por Aí" retrata a vida do jornalista, em uma produção especial do Globoplay. O material mostra a rotina de um dos jornalistas mais brilhantes do país.
Apesar do sobrenome difícil, o carisma sempre aproximou Maurício aproximou dos brasileiros. Nascido no Rio de Janeiro em 1945, Kubrusly foi para São Paulo trabalhar em rádio, escrever sobre música e tornar-se uma referência na televisão. Em 1978, ele deixou o Jornal da Tarde para editar a primeira revista brasileira de áudio e música. A publicação durou dez anos. A entrada na Globo aconteceu no final dos anos 1970. O "Me Leva Brasil", quadro do Fantástico, esteve em todos os Estados do país mostrando histórias curiosas, expressões culturais e personalidades que só existem em determinados locais, como no Espírito Santo.
Visitas de Maurício Kubrusly ao Espírito Santo
A Gazeta fez um levantamento, usando o nome do repórter como filtro de buscas. Há citações diversas entre 2003 e 2016 – ano em que Maurício Kubrusly sofreu um infarto. Algumas notícias foram escritas por jornalistas da Rede Gazeta. Outras notas, no entanto, não têm relação direta com o Estado. Confira abaixo alguns registros:
2 de fevereiro de 2003:
Maurício Kubrusly visita ao Espírito Santo para gravar reportagem sobre o Congo, e a mistura do gênero musical com o rock. A banda Manimal participou da gravação. Confira abaixo mais detalhes sobre a reportagem gravada em 2003, inclusive com relatos de uma jornalista da Rede Gazeta, e de um músico da banda Manimal.
25 de novembro de 2005:
Maurício Kubrusly veio ao Espírito Santo para falar em um evento de relacionamento com fornecedores da CST. O jornalista compartilhou experiências das viagens com o público
Foto mostra Kubrusly ao lado de diretores da CSTCrédito: Reprodução | Jornal A Gazeta
8 de outubro de 2006:
Maurício Kubrusly não veio ao Estado, mas apareceu nas páginas do jornal A Gazeta. Na época, o jornalista estava fazendo uma reportagem sobre uma minissérie da TV Globo e apareceu na editoria "Revista da TV".
Maio de 2008:
Foi a vez de Venda Nova o Imigrante aparecer no "Me Leva Brasil", do Fantástico. Maurício Kubrusly fez uma reportagem sobre o "Pipino", inventor vidrado em telefones "diferentões". Confira abaixo mais detalhes sobre a reportagem gravada em 2008, inclusive com relatos de um jornalista.
3 de abril de 2011:
Maurício Kubrusly voltou a aparecer na "Revista da TV", quando foi citado por Caco Barcellos como uma referência no jornalismo
1º de dezembro de 2013:
Na página "Cena virtual", que abordava destaques da TV e internet, uma reportagem de Maurício Kubrusly sobre o sumiço da escultura da Mônica em São Paulo foi citada.
Reportagem de Kubrusly tratava do sumiço de uma escultura da Mônica em SPCrédito: Reprodução | Jornal A Gazeta
17 de novembro de 2016:
O jornalista Maurício Kubrusly, na época com 71 anos, sofreu um infarto. O jornal A Gazeta noticiou que ele havia passado por cirurgia para colocar dois stents no coração. "Devo voltar em breve ao trabalho", disse o repórter na época.
Congo e Banda Manimal no Fantástico para todo o Brasil
O jornal A Gazeta noticiou no dia 2 de fevereiro de 2003: "É Fantástico!". A reportagem assinada pela jornalista Marcela Tessarolo avisava aos capixabas que a cultura do Congo apareceria domingo no Fantástico. Em uma fotografia registrada pela mesma jornalista, Maurício Kubrusly aparece ao lado de músicos da banda Manimal.
Foto mostra Kubrusly ao lado de integrantes da Banda ManimalCrédito: Reprodução | Jornal A Gazeta
A produção do "Me Leva Brasil" veio ao Estado para gravar uma reportagem sobre o Congo. O quadro mostrou a fincada do mastro de São Benedito, na Serra, a Casa do Congo e os netos do falecido mestre Antônio Rosa, que integravam na época a Banda Manimal.
A Gazeta procurou a jornalista Marcela Tessarolo, que gentilmente gravou um depoimento sobre a visita de Kubrusly ao Espírito Santo. Na época, a jornalista estava como colunista interina da Coluna Victor Hugo, do jornal A Gazeta. Considerando a importância da vinda de um "global" ao Estado, ela foi cobrir a produção jornalística.
"Maurício chegou muito concentrado ao local da gravação, conversando com a equipe dele, não deu muito papo para quem estava ali cercando a equipe de reportagem. Ele já chegou com o microfone em punho, câmera ligada e já fazia as entrevistas sem nenhuma conversa prévia. Acredito que ele fazia isso para conseguir respostas inusitadas, engraçadas, leves e autênticas do público"
Marcela Tessarolo - Professora doutora em comunicação
Ainda conforme a jornalista, após a gravação da reportagem, Kubrusly se mostrou interessado pelas pessoas e conversou com todos de forma gentil.
Kubrusly gravou reportagem sobre Congo em 2003
À época integrante da Banda Manimal, Fábio Carvalho conversou com A Gazeta a agradeceu a vinda de Maurício Kubrusly. Em vídeo, Fábio Carvalho contou como foi a reação quando o Fantástico ligou para ele: "É trote", brincou.
"Agradeço muito ao Maurício de ter vindo ao Espírito Santo contar a história do Congo. Ele veio e ficou amarradão, se divertindo muito. É incrível, foi incrível essa vinda dele. E o programa foi lindo"
Fábio Carvalho - Músico
Músico Fabio Carvalho, que foi integrante da Banda ManimalCrédito: Divulgação | Prefeitura de Vila Velha
De acordo com o músico, programas como o "Me Leva Brasil", do Fantástico, e o "Avisa lá que eu vou", gravado atualmente pelo ator Paulo Vieira, mostram partes não convencionais do Brasil. Isso é essencial, segundo Fábio Carvalho. "É um trabalho de mostrar o Brasil profundo, porque nós temos vários brasis. Hoje o Paulo Viera faz de forma magnífica. É a mesma pegada do Kubrusly", classificou.
Pipino inventor e colecionador de telefones em Venda Nova do Imigrante
Anos depois, o "Me Leva Brasil" voltou ao Espírito Santo. Em 2008, a produção do programa se interessou por uma história mais particular: um homem chamado pelo apelido "Pipino" que reunia telefones de diferentes formatos e até robôs criados por ele em uma espécie de laboratório.
Na época, o inventor Jéferson Dorzenoni, o Pipino, mostrou o local de trabalho e as invenções. O homem recebeu a produção do Fantástico no LEIP: Laboratório de Exeperimentos e Inventos do Pipino, em Venda Nova do Imigrante.
Kubrusly gravou reportagem com um inventor do ES em 2008
Em conversa com Kubrusly, o inventor contou como era a rotina e o trabalho, além das invenções de moda. Com seu jeito original, conquistou o Brasil.
"Os telefones quebram muito. Tenho telefones em formato de violino, pepino e golfinho. Nas horas vagas, invento robôs. Um deles é o Jedor. Os olhos, inclusive, abrem"
Jéferson Dorzenoni, o "Pipino" - Inventor e morador de Venda Nova
Apesar de todo carisma e criatividade, não foi Maurício Kubrusly quem descobriu a história de Pipino. Na época do quadro no Fantástico, havia um blog que reunia sugestões de pauta. Uma das sugestões foi enviada pelo então jornalista de rádio Leandro Fidelis.
"Sempre conheci o Pipino, desde muito novo. Quando apareceu o quadro, eles pediam sugestões. Eu, então, mandei o e-mal sugerindo o Pipino, junto com outras histórias da região, contei várias histórias. A produtora entrou em contato comigo para entender melhor a história do Pipino. Cerca de 40 dias depois, eles gravaram", contou em conversa com A Gazeta.
Pipino, o inventor, apareceu no FantásticoCrédito: Arquivo | Jornal A Gazeta
Leandro Fidelis contou por telefone que viu reportagens sobre o estado de saúde de Kubrusly no Fantástico e ficou emocionado. Assim como Marcela Tessarolo, Fidelis ficou encantado pela forma de Maurício Kubrusly fazer jornalismo.
"Vi no Fantástico [sobre Kubrusly] e fiquei muito arrepiado. Eu tinha o livro do 'Me Leva Brasil', sempre foi muito marcante. O que eu lembro do Maurício é que ele sempre foi muito rápido. Quando ele entrava para gravar, a coisa acontecia de primeira. Busca espontaneidade. Passamos um dia inteiro juntos, foi uma aula, fiquei muito encantado"
Leandro Fidelis - Jornalista
A história foi contada para todo o Brasil e, segundo Leandro Fidelis, Pipino ficou ainda mais famoso na cidade e conhecido em todo o país. A Gazeta falou por telefone com o inventor. Ele não quis gravar entrevista, mas lembrou com alegria do encontro com Maurício Kubrusly.
"Kubrusly - Mistério Sempre Há de Pintar por Aí"
O documentário lançado pelo Globoplay no início de dezembro retrata a vida do jornalista. Há cenas do ex-repórter em momentos íntimos, como banho de piscina e passeio na praia. O diagnóstico de Kubrusly é o mesmo que afastou o ator Bruce Willis, de 69 anos, das telas. Também chamada de DFT, a doença degenerativa afeta as regiões frontais e temporais do cérebro, causando alterações na personalidade, comportamento e linguagem. O projeto foi dirigido por Evelyn Kuriki.