Responsável por abrir o desfile da primeira noite do Carnaval de Vitória, em 21 de fevereiro, a Rosas de Ouro vai apresentar o enredo “No horizonte eu te vejo - Casarão”, uma homenagem ao Sítio Histórico de Carapina, na Serra. O local, de reconhecido valor, já foi palco de uma ocupação indígena e abrigou uma antiga fazenda de cana-de-açúcar.
O Casarão de Carapina, também conhecido como Ruínas de Carapina, é um marco histórico que preserva, em sua estrutura, não apenas vestígios de uma construção imponente, mas também um simbolismo sobre as origens do Espírito Santo. O sítio é composto pelo casarão e pela Igreja de São João Batista, popularmente chamada de São João de Carapina, um dos patrimônios arquitetônicos mais antigos do Brasil.
O enredo explora elementos que ecoam na cultura serrana e na tradição popular local. A temática não é voltada apenas para as comunidades de Serra Dourada, mas se estende à população capixaba como um todo, representando uma forma significativa de valorização da cultura popular tradicional e da essência ancestral que permeia o cotidiano e a memória histórica da região.
Recuperar a história
O presidente da Rosas de Ouro, Francisco Carneiro, destaca que a diretoria tem trabalhado para recuperar a história da agremiação, que enfrentou dificuldades no último ano. Em seu terceiro carnaval à frente da escola, Francisco reforça que o objetivo principal é consolidar a agremiação no Grupo A, garantindo uma base sólida para futuras conquistas e, quem sabe, um retorno à elite do carnaval capixaba.
"A meta é terminar o desfile sem ser apontada como uma possível escola rebaixada. A gente vai com um carro de som forte, uma bateria forte e todos os quesitos muito trabalhados. A nossa comissão de frente é uma novidade que pode chamar a atenção - muito bem ensaiada e muito bonita"
Curiosidade
O mestre de bateria Ramon Mathias acumula 13 anos de avenida e já passou por diversos segmentos da Rosas de Ouro, atuando como mestre-sala, apoio de intérprete e ritmista. Além de sua trajetória na escola, Ramon também carrega a experiência de ter exercido a mesma função na Imperatriz, escola de samba carioca. Neste carnaval, ele ainda desempenha o papel de diretor de bateria da Chegou O Que Faltava, no grupo especial.
História da agremiação
A origem da Rosas de Ouro remonta a um grupo de amigos do bairro Serra Dourada III, que, apaixonados pelo carnaval, decidiram transformar um time de futebol chamado Galo de Ouro em uma escola de samba. O objetivo sempre foi levar alegria à avenida e, já no ano de estreia, em 1985, a escola sagrou-se campeã, marcando sua entrada triunfal no mundo do samba.
Ao longo dos anos, a Rosas de Ouro conquistou títulos memoráveis, como os campeonatos do Grupo A em 1985 e 1990, além das vitórias no segundo grupo em 1987 e 1989.
Em 2024, a escola desfilou no Sambão do Povo com o enredo “Gente Floresta”, inspirado na toada do Boi Bumbá Caprichoso. O desfile levou à avenida uma forte mensagem sobre a preservação ambiental e o papel essencial dos povos indígenas na proteção das florestas. O impacto foi tão grande que a Rosas de Ouro conquistou o título de campeã do Grupo B, garantindo sua ascensão ao Grupo de Acesso A para o carnaval de 2025.
Além do enredo, a escola inovou ao ser a única do carnaval capixaba a contar com uma intérprete feminina, reafirmando seu compromisso com a representatividade e a evolução do samba.
Ficha técnica
- ROSAS DE OURO
- Fundação: 15/11/1984
- Cores: azul royal e dourado
- Símbolo: Colibri e rosa de dourada
- Comunidades: Serra Dourada I, II, III
- Presidente: Francisco Carneiro Junior
- Enredista: Marcelo Braga
- Enredo: No horizonte eu te vejo - Casarão
- Diretor de carnaval: Maicon Selestino
- Diretores de harmonia: Leleco \ Sergio
- Intérprete Oficial: Letícia Jesus
- Mestre de bateria: Ramon Mathias
- Rainha de bateria: Carol Barcellos
- Princesa de bateria: Gabriela Ramos
- 1º Casal de mestre-sala e porta-bandeira: Vinicius Couti e Mariana Calazans
- Coreógrafa da comissão de frente: Sarah Vieira
- Componentes: 800
- N° de alas: 17
- N° de alegorias: 2 carros e 3 tripés