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Isabella Batalha Muniz

Caso Marielle: um grito no escuro

As imagens das inúmeras mulheres assassinadas eclodem em rostos estampados diariamente na mídia

Publicado em 23 de Março de 2018 às 16:44

Públicado em 

23 mar 2018 às 16:44

Colunista

Acordei sobressaltada: Mataram a vereadora. Quem? Marielle! Vereadora carioca que denunciava abusos e mortes na favela do Acari, no Rio de Janeiro. Um tiro no escuro, uma emboscada, mais uma vida que se foi. Lá fora, o tempo está chuvoso e bate uma atmosfera reflexiva tal como um raio que traz lampejos de luz à escuridão.
Penso no aumento do feminicídio nos últimos anos, sobretudo, neste mês de março dedicado às mulheres. Foram 947 mulheres assassinadas no Brasil em 2017, e, no Espírito Santo, o índice é o maior do Sudeste (2 mortes /100 mil habitantes), segundo a Secretaria Estadual de Segurança (Sesp) e informações de A GAZETA de 09/03/2018. 
Para muitos, a repetição corriqueira dos crimes, mesmo os mais hediondos, de tão frequentes, caem no “comum”
As imagens das inúmeras mulheres assassinadas eclodem em rostos estampados diariamente na mídia. Corpos que se transformam em números e faz elevar progressivamente as estatísticas de crimes violentos contra a mulher. Esta condição traz, inevitavelmente, uma profunda melancolia. Perde-se a conta de quantas já se foram: Marielle, Danielle, Milena, e tantas outras.
Vidas, histórias e dramas que até então desconhecíamos, mas que se encerram estupidamente em curtas trajetórias, onde a dignidade da mulher é perpassada por atos de crueldade e covardia. O feminicídio aumenta e redobra-se a atenção sobre a questão.
Ao partir para o enfrentamento em defesa da causa, faz-se jus às vidas precocemente ceifadas. Protestos surgem nas redes sociais e em manifestações nas ruas. Em todos os lugares, clama-se por justiça, por mais políticas de prevenção e de assistência às famílias no combate à violência.
Nós, mulheres, desdobramo-nos entre tarefas domésticas e agendas de trabalho. Acordar, cuidar, circular, trabalhar. Uma rotina repetitiva, por vezes, extenuante. À noite, vem o cansaço. Por vezes, o sono não vinga. Acode-se um filho doente, um pai ou uma mãe idosa. Apesar de, prosseguimos com sonhos e projetos de vida, porque este é o movimento que nos motiva para além do cotidiano doméstico.
Porém, ante a estupidez de vidas interrompidas, torna-se urgente parar e refletir o contemporâneo dessa condição. Para muitos, a repetição corriqueira dos crimes, mesmo os mais hediondos, de tão frequentes, caem no “comum”. Para nós, este comum choca e amedronta, aquieta-se e ressurge novamente com força todos os dias. O slogan que impulsiona a ideologia modernizante é ”vida que segue”, tal como uma marcha impositiva que faz realizar o cotidiano.
A violência enrijece o sensível? A maturidade ensina a resiliência? O gozo, ora sofrido, ora feliz, apaga-se com o silêncio dos corpos? Com ou sem batom, sigamos sujeitas à fatalidade do acaso, sem antes não deixar de romper as lágrimas que driblam a dor, por entre palavras que quase não mais dizem nada. E avancemos pela causa de centenas de mulheres que fizeram calar os seus gritos e não mais podem nos acompanhar.
*A autora é arquiteta urbanista

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