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Preço da gasolina

Consumidor ficar refém dos preços da gasolina é inaceitável

Preço da gasolina que sai das refinarias atinge seu patamar mais baixo desde 2017, mas nos postos continua se pagando muito

Publicado em 11 de Janeiro de 2019 às 00:15

Publicado em 

11 jan 2019 às 00:15
A responsabilidade acaba recaindo sobre as distribuidoras, com seus custos embutidos, e sobre os altos impostos que incidem sobre o combustível Crédito: Gasolina
É inaceitável que o consumidor ainda continue refém dos preços da gasolina praticados pelos postos, mesmo após mais um anúncio da redução do valor nas refinarias, que segue refletindo o recuo na cotação
internacional do petróleo desde outubro. Um desavisado que pare para abastecer e veja a cifra do litro na bomba passando dos R$ 4 certamente não terá como imaginar que o combustível foi vendido às distribuidoras por R$ 1,433, o menor patamar desde agosto de 2017, levando em conta a correção da inflação. Chega a ser surreal.
A responsabilidade acaba recaindo sobre as distribuidoras, com seus custos embutidos, e sobre os altos impostos que incidem sobre o combustível, com destaque para o ICMS. Mas o fato é que a diferença entre o preço nas refinarias e o preço final está exagerado, o que sugere a dilatação da margem de lucro das empresas que dominam o mercado e acabam ditando as regras do jogo que prejudicam tanto o consumidor. Em um efeito cascata, toda a cadeia produtiva do país acaba sofrendo as consequências.
Nas distribuidoras e nos postos, os preços são livres. Mesmo que eles possam negociar o combustível pelo valor que quiserem, a desconfiança cresce porque, pela lógica, deveria haver um barateamento na mesma proporção até a gasolina chegar às bombas. Parecem estar descaradamente lucrando com as cifras mais baixas das refinarias.
É papel da Agência Nacional do Petróleo (ANP) fiscalizar as razões desse represamento nas distribuidoras e nos postos. Falta transparência, e as suspeitas de abusos transbordam. São mais de três meses de queda diária que não é sentida na prática. Há justificativas de sobra, como o fato de o cálculo do ICMS cobrado na revenda, com alíquota de 27%, basear-se no valor da gasolina de três meses antes. Ou a necessidade de queimar os estoques ainda com os valores antigos. Se fosse um caso pontual, as explicações seriam facilmente aceitas. O problema é o histórico dos preços abusivos dos combustíveis no Brasil, o que dá a certeza de que o consumidor é sempre quem paga a conta mais alta.

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