O chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, delegado José Darcy Arruda, foi denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação à testemunha. A chamada notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, que prestou informações em uma investigação federal.
Foi solicitada a apuração dos fatos por intermédio de um inquérito, informando ainda a suspeita da ocorrência de outros crimes, como denunciação caluniosa, abuso de autoridade, prevaricação e obstrução de investigação de organização criminosa.
O material também foi enviado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Arruda nega as acusações (veja abaixo).
Na sexta-feira (27), foi confirmada a formalização da investigação interna, por intermédio de um comunicado oficial assinado por Arruda e encaminhado ao Corregedor-geral da PC, Roberto Fanti de Resende (CI Nº 034/2026 - PCES/GAB).
No ofício, a que a coluna também teve acesso, é solicitado "a instauração de procedimento para apurar quais medidas foram efetivamente adotadas pelo delegado Alberto Roque Peres ao tomar conhecimento dos fatos mencionados, bem como a verificação de eventual responsabilidade funcional decorrente de sua atuação".
O que foi considerado uma retaliação. "Não são eventos isolados; é uma reação direta, uma retaliação à colaboração do noticiante (delegado Alberto) com a investigação federal”, foi dito no documento encaminhado à PF, acrescentando que as ações do chefe da Polícia Civil vão contra os interesses da União em proteger a integridade de suas investigações e a segurança de suas testemunhas.
O depoimento do delegado ocorreu, relata o documento, em um contexto sigiloso, na condição de testemunha de fatos. Mas em uma das entrevistas realizadas pela TV Gazeta, o delegado-geral citou o nome Alberto, que havia sido mantido em sigilo até então.
Ele é dos dos policiais investigados na Operação Turquia. Trata-se da investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPES, em conjunto com a Polícia Federal, por intermédio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Ficco-ES).
Crimes que teriam sido comunicados à Corregedoria da PC desde 2017. “Os fatos foram relatados ao delegado-geral da PC em diversas ocasiões, apontando haver indícios de conduta duvidosa por parte de um dos policiais investigados, Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Dudu” é dito na notícia-crime, que traz um histórico destas comunicações.
“Não tive e não tenho nenhuma intenção de coagir um delegado de polícia ou mesmo interferir em uma investigação. Os documentos e informações que ele citou em seu depoimento, cerca de 3 ou 4 denúncias, nós ainda não localizamos. Nossa intenção é no sentido de que ele apresente o que possui”, disse.
Acrescentou que já solicitou que a Corregedoria faça um levantamento das investigações que por lá tramitam em busca dos casos que envolvem o policial Eduardo Tadeu. E destaca que houve um período em que todas as comunicações eram feitas por ofícios em papel.
“Atualmente é tudo por e-docs. Para acessar os ofícios em papel teremos que fazer uma busca em caixas, e já solicitei o desarquivamento. As informações do delegado poderiam nos ajudar nesta busca”, afirma.
Aponta ainda que a localização dos documentos permitirá saber o que foi feito de investigação e por qual motivo ficou paralisada por tanto tempo.
Em relação ao policial Eduardo Tadeu, Arruda afirma que não o conhecia pessoalmente.
O delegado Alberto Roque Peres e seu advogado, Fábio Marçal, decidiram não se manifestar sobre o documento encaminhado à PF e ao MPES.
A defesa do policial Eduardo Tadeu informou que também não se manifestaria sobre o caso.