Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Chega de lambança entre o Planalto e o Congresso
Foco

Chega de lambança entre o Planalto e o Congresso

Só há uma saída para o Brasil voltar a crescer: atrair o investimento privado para a infraestrutura. Isso exige um "choque de confiança" produzido pela garantia de um adequado controle das despesas públicas

Publicado em 11 de Março de 2020 às 06:00

Públicado em 

11 mar 2020 às 06:00
Delfim Netto

Colunista

Delfim Netto

ideias.consult@uol.com.br

O presidente Jair Bolsonaro Crédito: Alan Santos/PR
Se o presidente Bolsonaro quiser mesmo a "pátria amada acima de todos", terá que dar "meia volta volver". Ele iniciou o seu governo com uma distopia política que o levou a acreditar que o surpreendente resultado de sua campanha — e de suas circunstâncias, com 1º) a crítica à política e aos políticos, enfim, à "politicagem"; 2º) a recuperação dos costumes corrompidos por uma "certa mídia"; 3º) a terrível desilusão que se abateu sobre o país com a desonestidade petista — seria suficiente para transformar num sucesso imediato uma indefinida "nova política" inventada por sua Casa Civil, que continua a mais incompetente das que se tem registro na história.
Deveria ter começado por resignar-se à única verdade: a "revelada nas urnas"! Não restava então (e ainda agora não resta) outro caminho –para quem foi eleito com uma participação relativa do eleitorado (39% dos que podiam votar) e cujo partido (antes da "implosão") não conseguiu nas urnas nem 10% do Congresso — senão negociar! Negociar, legítima e republicanamente, uma composição majoritária, capaz de dar sustentação não ao "seu" programa, mas ao que resultasse do "consenso" estabelecido com os outros partidos. E, consequentemente, com eles repartir, também republicanamente, o poder que emergiu da eleição.
O "fenômeno Bolsonaro" mostra como as instituições políticas são da maior importância. São elas que abrem ou dificultam os caminhos para os seus atores e determinam os seus resultados. O Brasil vive o velho problema de não poder conciliar três valores: 1) o presidencialismo; 2) o multipartidarismo; 3) o pleno exercício da democracia, resultado das disputas de poder entre o Legislativo e o Executivo nas leis eleitorais, frequentemente pioradas pelas desastradas intervenções do Supremo Tribunal Federal.
No curto prazo, isso não poderá ser sanado flertando com um "parlamentarismo oportunista" que violenta a Constituição, como parece querer a Câmara dos Deputados. Só há uma saída para o Brasil voltar a crescer: atrair o investimento privado para a infraestrutura. Isso exige um "choque de confiança" produzido pela garantia de um adequado controle das despesas públicas, que continuam a crescer endogenamente.
Diante das novas circunstâncias locais e internacionais, o Brasil precisa que o Executivo deixe de tergiversar, o Legislativo abandone o seu diversionismo e que ambos encontrem a grandeza para enfrentá-las. Esse é o "choque de confiança" esperado pelos investidores nacionais e estrangeiros para lançarem-se nas parcerias público-privadas que acelerarão o indigente crescimento do PIB.

Delfim Netto

Delfim Netto é um dos colunistas de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Como a bicicleta ajudou mulheres indianas a ler, escrever e ter uma vida melhor
Imagem BBC Brasil
A histórica condenação da Lafarge, a grande empresa do setor de cimento, por fomentar o terrorismo internacional
Imagem de destaque
Quem foi São Jorge, padroeiro do Rio de Janeiro e da Inglaterra

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados