Estudos meteorológicos mantêm a previsão de que os primeiros impactos do Super El Niño comecem a ser sentidos no Espírito Santo a partir de agosto. A principal mudança em relação às projeções anteriores é a duração dos efeitos, que antes eram previstos até fevereiro e agora podem se estender até abril.
As informações foram apresentadas nesta terça-feira (14), durante a primeira reunião do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), criado pelo Governo do Estado para coordenar a força-tarefa de enfrentamento aos impactos do fenômeno climático.
Entre os principais efeitos previstos para o Espírito Santo estão o aumento das temperaturas, a estiagem prolongada, o maior risco de incêndios florestais e a irregularidade das chuvas.
No encontro, também foi definida a criação de dois núcleos técnicos: um voltado para a estiagem e outro para os incêndios florestais. Os cenários dessas áreas serão monitorados semanalmente para orientar a adoção de novas medidas. Um terceiro núcleo, voltado para chuvas intensas, poderá ser criado caso haja necessidade, embora as previsões atuais apontem para um longo período de seca.
Entenda o fenômeno
■ O que é o El Ninõ?
- O El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que altera a circulação das massas de ar e, consequentemente, o regime de chuvas em diversas regiões do planeta.
- O Espírito Santo está em uma área de transição, mas o histórico mostra que a maioria dos episódios do fenômeno provoca seca, aumento das temperaturas e mais focos de incêndio. Ainda assim, isso não impede a ocorrência de chuvas fortes e isoladas.
■ Por que o fenômeno deste ano é considerado um Super El Niño?
- Porque os modelos meteorológicos indicam um evento de maior intensidade e, principalmente, de maior duração do que o habitual.
■ Qual será o principal desafio?
- Ao contrário do que costuma ocorrer nos estados do Sul do país, onde o El Niño geralmente provoca excesso de chuvas, a previsão para o Espírito Santo aponta para um longo período de estiagem.
■ Qual será o papel da população?
- A Defesa Civil reforçou que, em caso de estiagem e incêndios florestais, a população deverá seguir as orientações dos órgãos responsáveis, como economizar água e respeitar eventuais restrições para irrigação das lavouras.
- O alerta também vale para o risco de queimadas durante o período mais seco, já que fatores como ventos intensos, baixa umidade do ar e altas temperaturas favorecem a propagação das chamas e dificultam o combate aos incêndios.