Levantamento feito pelo IBGE nos 78 municípios, em 2023, apontou 156.153 servidores em atividade, crescimento de 12,4% em relação a 2021. A expansão foi puxada pelos funcionários 'sem vínculo permanente', que responderam por 79% dos novos ingressos. Também se destacaram os aumentos nos contingentes de celetistas (+42%) e estagiários (+42,8%). Em contrapartida, a quantidade de servidores estatutários (com vínculo permanente) encolheu 6% no período. Hoje, nas prefeituras do Espírito Santo, 45,6% dos servidores têm vínculo permanente e 32% não têm.
Os números apontam para um avanço da flexibilização nas formas de contratação e no quadro de servidores municipais. "Ao contrário dos gastos com pessoal, que criam vínculos permanentes e aumentam a rigidez fiscal, os contratos de terceirização permitem ajustes mais ágeis conforme a demanda e a disponibilidade orçamentária", detalha o anuário publicado organizado pela Aequus Consultoria. Dos mais de R$ 10 bi em custeio, 71,8% (R$ 7,77 bi) foram gastos com serviços de terceiros, crescimento de 92% em cinco anos.
A revista levantou uma outra questão importante ligada ao funcionalismo que merece atenção: o auxílio alimentação. Em 2019, os 78 municípios capixabas gastaram R$ 460,3 milhões com a gratificação, que também entra no custeio. No ano passado, foram R$ 909,9 milhões. Ou seja, em um intervalo de apenas cinco anos a despesa praticamente dobrou: crescimento de 97,6%. Esse recurso não entra na conta de gastos com pessoal, mas na de custeio, e, portanto, passa ao largo da Lei de Responsabilidade Fiscal.