"Hoje, nós temos cerca de 600 mil sacas de café na fila de embarque, ou seja, produto que já deveria ter sido exportado em agosto e setembro, mas que ainda está aqui. São quase US$ 100 milhões em contratos não entregues. Isso é perda de competitividade", disse Fabrício Tristão, presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória. "
Melhorou um pouco nos últimos meses porque todos os três portêineres da Log-In voltaram a funcionar e porque o movimento de carros importados caiu, duas situações que já eram previstas, mas em termos de estrutura de longo prazo, pouco mudou. Precisamos de mais".
O CCCV estima que, nesta safra, cerca de 1,8 milhão de sacas de café conilon deixaram de ser embarcadas no Espírito Santo e foram exportadas por portos como os do Rio de Janeiro e de Santos. Isso representa 29% de todo o volume exportado pelo Estado neste ano. Não está incluída neste cálculo a produção de café arábica que poderia utilizar o Porto de Vitória como canal de escoamento, mas, há muito, por causa dos gargalos, vai principalmente pelo Rio. O movimento do arábica dobraria o volume de exportação de café pelo Espírito Santo. Ou seja, a exportação, até setembro, em vez de totalizar 6,3 milhões de sacas, poderia estar em 12,6 milhões.
Os exportadores aguardam uma nova onda de importação de carros elétricos para 2025, já que o governo federal voltará a subir o imposto sobre os veículos de fora. "Se nada for feito, podem ocorrer os mesmos impactos observados neste ano no terminal de contêineres do Espírito Santo, o que, no caso das exportações de café, resultou em soluções atípicas, como a viabilização de embarques de café em break bulk (fora de contêiner)", informou, por meio de nota, o CCCV. "Reconhecemos que há problemas na logística global, caso da falta de contêiner de alimento, mas não é só isso. Temos que resolver os problemas locais", finalizou Tristão.