Na visão do setor produtivo, a concessão de crédito subsidiado (os governos entram com recurso público para garantir taxas de juros mais baixas que as de mercado), que é o que vai ancorar as ações governamentais, é importante, vai ajudar no primeiro momento, mas uma hora vai acabar e o recurso, claro, vai precisar ser devolvido. Ou seja, é um fôlego em um momento complicado, mas não será a solução.
A devolução do crédito de ICMS (os exportadores pagam o tributo ao longo da produção, mas, como as vendas para fora do país são isentas de ICMS, não conseguem fazer a compensação) é mais interessante, mas não virá no volume necessário. Por tudo isso a defesa será para aproveitar o momento de crise para enfrentar questões estruturais, que há anos tiram a competitividade dos produtos brasileiros.
"Depois do tarifaço a gente ouve muito a sugestão de buscarmos novos mercados. A questão é que temos dificuldades até internamente. Veja por exemplo as alíquotas de ICMS em cima do café. Aqui no Espírito Santo é de 7%, mas em vários estados é de 12%, se vendemos para esses estados, temos de pagar o diferencial, que é alto. Isso precisa ser enfrentado, não precisamos esperar a reforma tributária. Assim como a devolução dos créditos de ICMS, que precisa ser mais eficiente no Espírito Santo, como já acontece em outros Estados. Além disso, o Brasil precisa negociar melhor com os países compradores de café. Em vários casos os mesmos países colocam tarifa de importação em cima do nosso café e zeram para o café do Vietnã. São temas estruturais que precisam ser definitivamente enfrentados", assinalou um importante dirigente e executivo da indústria cafeeira do Espírito Santo.