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Logística

Espírito Santo tem oportunidade única de deixar a "agenda velha" para trás

Os gargalos capixabas de infraestrutura - portos, rodovias, aeroporto e ferrovias - foram debatidos por tanto tempo que viraram a chamada "agenda velha".  Felizmente o cenário vem mudando

Publicado em 23 de Outubro de 2024 às 03:50

Públicado em 

23 out 2024 às 03:50
Abdo Filho

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Abdo Filho

afilho@redegazeta.com.br

Data: 05/03/2020 - ES - Domingos Martins  - Trecho da BR - 262, km 27, Domingos Martins, onde houve deslizamento causado pelas chuvas - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Trecho da BR 262, na serra de Domingos Martins Crédito: Ricardo Medeiros/Arquivo
Há muitos anos o Espírito Santo vem brigando por melhorias em sua infraestrutura de transportes. Muito bem localizado geograficamente, não é de hoje que a vocação logística é tida como alavanca econômica fundamental para o Estado no longo prazo. Para isso, entretanto, é preciso ter estrutura em todos os modais: aéreo, ferroviário, rodoviário e marítimo. Essas estruturas são caras e dependem de muita articulação, política e econômica, para se viabilizarem.
Diante deste cenário, apesar das vantagens competitivas naturais, o Estado padeceu. Por tanto tempo que a agenda de investimentos acabou sendo convencionada como "agenda velha". A tal agenda é (ou era) composta assim: Aeroporto de Vitória, BR 101, BR 262, Porto de Vitória e ferrovias. Aos trancos e barrancos as soluções têm chegado. A notícia de que R$ 2,3 bilhões do acordo de Mariana irão para a 262 capixaba é mais um relevante avanço. Claro, tudo depende de muita atenção e, em se tratando de Brasil (vide as reviravoltas da 101), as coisas podem mudar, mas, hoje, o Espírito Santo encontra-se em uma posição única, em décadas, de estar muito perto de deixar a "agenda velha" para trás. Entenda:
Aeroporto de Vitória: depois de 15 anos em obras, o complexo foi reinaugurado em março de 2018. Hoje, sob a administração da Zurich Airport do Brasil, é considerado um dos melhores terminais do país.
BR 101: concedida à EcoRodovias desde 2013, a principal rodovia do Espírito Santo foi devolvida à União em 2022. Depois de uma articulação feita entre governo federal e Tribunal de Contas da União, uma renegociação inédita foi feita com a concessionária e a retomada já está sacramentada. A expectativa é de que as obras, principalmente no Norte do Estado, acelerem a partir do ano que vem.
Porto de Vitória: concedido à iniciativa privada, Vports, desde o final de 2022, o Espírito Santo tem, hoje, a única autoridade portuária privada do Brasil. O complexo vem passando por melhorias e o ritmo de assinatura de novos contratos com operadores acelerou nos últimos dois anos. Aqui cabe um adendo muito relevante: até 2013, apenas portos públicos podiam operar cargas de terceiros, a lei mudou e o Espírito Santo passou a ser foco de investidores da área. Portocel, de Cenibra e Suzano, que era dedicado a cargas florestais, está em ampliação. No ano que vem, o Grupo Imetame, de Aracruz, vai inaugurar o seu porto, em Barra do Riacho. Em Presidente Kennedy, o Porto Central deve ter novidades para breve. Ou seja, até 2013, o Porto de Vitória era a única opção, agora, o cenário mudou e os investimentos privados estão vindo com força, desatando um nó que era complicado.
BR 262: a principal ligação rodoviária entre Espírito Santo e Minas Gerais atravessa uma região muito montanhosa, tem um traçado sinuoso, portanto, de difíceis (e caras) intervenções de engenharia. Por duas vezes o governo federal tentou conceder a via à iniciativa privada, nenhum interessado apareceu. A reserva de R$ 2,3 bilhões para aportar na rodovia vai ser um relevante empurrão, o recurso será 100% destinado ao trecho de cerca de 200 quilômetros que corta o Estado. O Dnit já encomendou o projeto executivo, que deve ser entregue até julho do ano que vem. Ainda não há data para a obra, mas pelo menos já se sabe de onde virá o dinheiro (e não é de Brasília).
Ferrovias: este é, atualmente, o grande desafio posto. Hoje, a única ligação ferroviária operacional do Espírito Santo é a Ferrovia Vitória-Minas, que pertence à Vale. O Estado trabalha em duas frentes: melhorar o escoamento de cargas pela Vitória-Minas e viabilizar a construção de uma ferrovia até a cidade do Rio de Janeiro. Sobre as cargas pela Vitória-Minas, a ideia é melhorar a eficiência da Ferrovia Centro Atlântica (corta oito estados e conecta-se à Vitória-Minas na Grande Belo Horizonte) e trazer mais movimento vindo do Brasil Central (agro) para os terminais portuários capixabas. A operação está com a VLI Logística, a concessão do serviço vence em 2026 e a companhia quer a renovação antecipada. O debate está em pleno curso. Na ponta do Rio de Janeiro, há outra discussão em andamento. O governo do Estado conseguiu, junto ao Ministério dos Transportes, a garantia de que a Vale fará o ramal entre Grande Vitória e Anchieta (Ubu). O maior desafio está em levar o projeto mais à frente, até o Rio. Importante frisar que na região de divisa entre os dois estados há grandes projetos portuários: Açu, já em operação, em São João da Barra (RJ), e o Porto Central, projeto de grande porte previsto para Kennedy. Se a ferrovia chegasse a estes dois complexos já seria uma grande vitória. Bom sempre lembrar que ferrovia e porto precisam funcionar bem e juntos.
A "agenda velha" das obras de infraestrutura do Espírito Santo pode se transformar em página virada. Vamos torcer (e cobrar).

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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