E onde está a inovação? O idealizador da empresa, o brasileiro Javier Farago Escobar, de 39 anos, desenvolveu uma fórmula para extrair da madeira a alta concentração de cloro - elemento tóxico e proibido na Europa, por exemplo. "Nós patenteamos o processo e conseguimos autorização para uso em mercados como o europeu, que é o nosso foco primário e o asiático. A alta concentração de cloro é algo natural nas florestas tropicais, mas, durante as reações químicas do processo de queima, surge um elemento que é tóxico e, por isso, é proibido por agências do mundo todo. Nossa empresa tem a fórmula para retirar este elemento tóxico e já tem a autorização para fazer a venda", explicou Escobar.
De posse da tecnologia e das autorizações para exportar a produção, o empreendedor foi atrás de parceiros para construir a fábrica de pellets. O Espírito Santo foi escolhido como local ideal. "Temos matéria-prima em abundância - que é o pó de serra das serrarias -, portos e, agora, a ZPE. A nossa produção vai ser totalmente voltada para a Europa, portanto, encontramos o ambiente perfeito para a nossa fábrica.
Assim que a ZPE estiver instalada e o nosso processo licenciado, iniciaremos as obras".
Escobar ainda está fazendo os estudos de mercado, mas o aporte inicial será de pelo menos R$ 30 milhões, podendo chegar aos R$ 60 milhões. Em quatro anos, contados a partir da inauguração, os investimentos chegarão aos R$ 250 milhões. "Ficaremos em uma área de 40 mil m² na ZPE, na primeira fase fabricaremos entre 60 mil e 120 mil toneladas de pellets. Na plena capacidade do que está planejado chegaremos a 480 mil toneladas por ano. Nós temos espaço, e o Espírito Santo tem matéria-prima, para 1 milhão de toneladas. Hoje, a Europa consome 20 milhões de toneladas de pellets por ano".
Os estudos mostraram que, além de não liberar elementos tóxicos a partir do cloro, o biocombustível a ser produzido no Estado produz mais calor e libera menos cinzas, portanto, trata-se de um produto de mais valor agregado.