A indústria extrativa do Espírito Santo responde por boa parte das riquezas do Espírito Santo. Dentro dela estão gigantes como Petrobras, Vale e Samarco. De meados da década passada para cá, por uma série de motivos (entre eles as tragédias provocadas pelos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho), essa locomotiva vem apresentando problemas.
Dados compilados pelo Observatório da Indústria/Findes mostram quedas em sequência desde o terceiro trimestre de 2018.
Embora acompanhe com atenção, as situações de Vale e Samarco não preocupam muito. Na visão dos técnicos e dirigentes da Findes, embora o cenário seja desafiador, já há encaminhamentos para a solução dos colapsos nas duas barragens localizadas em Minas Gerais e, aos poucos, as plantas industriais localizadas no Espírito Santo recuperarão seu pleno funcionamento. Já no ano que vem a Vale colocará para funcionar, em Tubarão, suas duas primeiras unidades de briquete verde, uma evolução da pelota de minério de ferro. Elas vão ocupar o espaço das usinas 1 e 2, as pelotizadoras mais antigas da Vale.
O que tem deixado os dirigentes da indústria capixaba muito preocupados é a situação da produção de petróleo e gás, responsável por 24% do PIB industrial do Estado. Desde o primeiro trimestre de 2017 que a atividade só encolhe no Espírito Santo. Em 2016, auge da produção capixaba, foram mais de 140 milhões de barris de óleo e gás no ano todo. Em 2021, foram 76,9 milhões. A perda de relevância do Estado anda em paralelo com o aumento dos investimentos da Petrobras no pré-sal. São Paulo, que abriga boa parte da nova fronteira de exploração, perdeu o posto de segundo maior produtor de óleo e gás do Brasil para São Paulo lá no já distante 2019.
A Findes também deseja um melhor aproveitamento do gás natural extraído na costa brasileira, incluindo a do Espírito Santo. Trata-se de um insumo que vem ganhando cada vez mais relevância, ainda mais em tempos de transição energética. As unidades de tratamento de gás da Petrobras em Linhares e Anchieta estão subutilizadas. Além de a indústria precisar muito desse combustível, pode ser uma nova fronteira de expansão no setor para o Estado.
Por fim, outra preocupação. A Petrobras consome, por ano, R$ 2 bilhões de empresas capixabas, não necessariamente indústrias. O Estado é o quinto maior fornecedor da estatal. Uma menor presença da Petrobras no Espírito Santo é um baque em vários sentidos.