Nos próximos dias, representantes dos governos do Espírito Santo e Minas Gerais se reunirão com o ministro da Casa Civil, Rui Costa,
para discutir os termos do acordo de reparação do desastre de Mariana. O encontro ainda não tem data definida, mas o governador Renato Casagrande espera que seja para breve. Boa parte do documento já está até redigida, faltando poucos detalhes (mas não menos importantes) para o martelo final ser batido, o que deve acontecer nos próximos meses.
O tamanho do débito da companhia - os sócios da Samarco são Vale e BHP Billiton - e em quanto tempo ele será quitado serão os dois pontos centrais do encontro na Casa Civil. O valor total da reparação deve ficar na casa dos R$ 120 bilhões, sendo que R$ 55 bi já foram pagos (via indenizações ou investimentos) pela Fundação Renova, instituição criada, em 2016, por Vale e BHP para tomar conta da reparação do desastre. Os outros R$ 65 bi viriam daqui para a frente e seriam divididos entre União, Estados e municípios afetados. O governo do Espírito Santo e os municípios capixabas ficariam com algo entre R$ 17 bi e R$ 18 bilhões. Desta forma, as Renova sairia de cena e as destinações dos recursos (reparações e investimentos), tudo colocado no acordo, seriam tocadas pelos governos locais.
O prazo de pagamento é a grande interrogação. Os governos querem o menor prazo possível (dez anos é um tempo considerado razoável), enquanto que os acionistas puxam para cima. O encontro com Rui Costa servirá para Minas e Espírito Santo colocarem o novo governo federal a par de todos esses detalhes e, se possível, fechar questão junto com a União sobre prazos e valores. Negociadores acreditam que a palavra da União será determinante para chancelar o acordo, que já está praticamente fechado.