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Economia

Mudança de patamar: Espírito Santo torna-se estratégico para o agro brasileiro

Muito embora seja, historicamente, um importante produtor de café, o Estado nunca esteve entre os destaques do agronegócio nacional

Publicado em 07 de Julho de 2025 às 03:00

Públicado em 

07 jul 2025 às 03:00
Abdo Filho

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Abdo Filho

afilho@redegazeta.com.br

Obras do Porto da Imetame, em Aracruz, Norte do ES
Obras do Porto da Imetame, em Aracruz, Norte do Espírito Santo Crédito: Abdo Filho
Merecem atenção alguns movimentos importantes que vêm acontecendo no Espírito Santo, destacadamente na região Norte e Noroeste, dentro de um contexto bem mais amplo: o agronegócio brasileiro. Muito embora seja, historicamente, um importante produtor de café, o Estado nunca esteve entre os destaques do agro nacional. Aos poucos, por alguns motivos, a coisa vem mudando de figura.
São dois os pontos fundamentais para a mudança de patamar: café conilon e infraestrutura logística. Gigantes como Ofi (do Grupo Olam, de Singapura) e Louis Dreyfus, de olho nos portos da região de Aracruz e na proximidade com as maiores área de plantação de conilon do Brasil, que é o segundo maior produtor do mundo (atrás apenas do Vietnã), já investiram alguns bilhões de reais em enormes plantas de café solúvel, em Linhares. Quase que a totalidade da produção é exportada, portanto, infraestrutura adequada é fundamental.
Outro grande player brasileiro, o Grupo Tristão, do Espírito Santo, acaba de adquirir uma área de 400 mil m², em Aracruz, a apenas oito quilômetros do hub portuário que está se desenvolvendo no município. O objetivo, em princípio, é montar um parque logístico moderno com capacidade para pelo menos 500 mil sacas de café. Todos estão de olho na expansão mundial do consumo de café, principalmente na China, onde os jovens estão substituindo o chá pelo café.
O Espírito Santo, que já é relevante no conilon (70% do que sai do Brasil), trabalha para ampliar a produção, a produtividade, a qualidade e para atender os padrões de sustentabilidade exigidos pelos grandes compradores. Em janeiro de 2026, começa a vigorar, na Europa, a Lei Antidesmatamento. Quem não cumprir as regras estabelecidas por lá, estará fora do jogo. Diante do cenário, a Secretaria de Estado da Agricultura está acelerando a implantação do chamado currículo de agricultura sustentável nas fazendas. Serão 8 mil até o final do ano e 35 mil até 2030. Este trabalho, inclusive, mereceu uma visita por parte de executivos do WWF.
Abrindo um pouco mais o leque, os portos capixabas, de Norte a Sul, são vistos pelo agro brasileiro, destacadamente pelo Brasil Central, como uma das melhores alternativas para dar conta de escoar uma produção que não para de crescer. De acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), em maio, 56% dos 169 navios exportadores de café sofreram com atrasos ou alterações de escala no Brasil. Um prejuízo de R$ 2,68 milhões. Ou tem porto (e ferrovia) ou teremos apagão já na próxima década. Como tudo isso é caro, quem está implantando agora vai ser a alternativa viável dos próximos anos. Alguns dos maiores projetos portuários do Brasil estão no Estado.
A Imetame, que inaugura o seu porto em 2026, está negociando a instalação de um terminal de grãos em sua área. O Porto Central, que começou a se movimentar em Presidente Kennedy, também está em meio a conversas. O Portocel, historicamente ligado a cargas florestais, fez seu primeiro embarque de café no ano passado. A Vports, responsável pelo Complexo Portuário de Vitória e que também tem uma área em Aracruz, trabalha para aumentar o movimento de grãos em seus terminais. Importante frisar que é não é só uma questão de escoar carga, mas também de entrar. Cerca de 80% dos fertilizantes usados pelo Brasil são importados...
Por tudo isso, observando o curto, médio e longo prazos, o Espírito Santo passou a ser estratégico para o agro brasileiro. Claro que há muito trabalho pela frente, um dos mais difíceis está na viabilização das ferrovias e na melhoria das rodovias rumo ao interior do país (259 e 262), mas o cenário é promissor. 

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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