É natural o temor de aumento da carga tributária. Ocorre que há muito desconhecimento dos setores sobre o funcionamento do IVA. Primeiramente, não é possível calcular com segurança o impacto da reforma em cada setor. A complexidade atual é tão grande, que teria de calcular por cada produto, havendo ainda diferenças entre os estados. Por setor já significa grande simplificação. Muitas despesas que hoje não geram crédito tributário passarão a gerar, o que representa ganho importante. Outro fator é que aquelas empresas no Simples, que representam algo como 85% do setor de serviços, não sofrerão mudança alguma. Finalmente, há muitos custos associados ao recolhimento de impostos ou custos de conformidade, que são eliminados ou reduzidos, aliviando as empresas. Se o medo da reforma dominar, manteremos o sistema atual em que ninguém está satisfeito, só os advogados tributaristas. Os ganhos em termos de produtividade poderão ser muito elevados, o que significa maior crescimento da economia e receita das empresas. Casos específicos, como saúde e educação, poderão ter tratamento diferenciado. Mas convém não ampliar as exceções. Ter várias alíquotas seria um equívoco, por gerar má alocação de recursos, injustiças e ineficiências.