O final da década passada e o começo da atual foi de euforia na indústria de óleo e gás com a saída da Petrobras de determinados campos e a entrada das chamadas 'junior oils' (companhias independentes, de menor porte, especializadas na recuperação de campos e aumento de produtividade) no mercado. A expectativa geral, até pelo perfil das novas entrantes, era de que a produção subisse forte, mas... Em vários lugares do país há casos de sucesso, mas, na média geral, o mesmo não pode ser dito para os campos em terra (onshore) do Norte do Espírito Santo, onde a Petrobras, no Estado, fez mais operações de desinvestimento.
Em 2014, a produção onshore de petróleo, no Espírito Santo, ficou em algo perto de 14 mil barris por dia. No ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural organizado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), foram 7,4 mil barris/dia. Nos últimos dez anos, só foi melhor que o volume de 2022: 7,1 mil barris/dia. A projeção otimista de mercado era de que, antes do final da década, a produção capixaba onshore se aproximasse de 25 mil barris diários. Diante do cenário, muito terá de mudar para que isso de fato aconteça.
O grande nó está na crise da Seacrest, companhia norueguesa que arrematou os maiores ativos da Petrobras no Norte capixaba e que, desde o ano passado, enfrenta gravíssima crise. A companhia responde por 89,3% do óleo e por 84,6% do gás natural produzido em terra no Estado. O avanço do onshore capixaba passa pela solução da crise da Seacrest. Há interessados na companhia, mas nada ainda oficial.