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Economia

O segmento do mercado imobiliário do ES que não sai do marasmo

O mercado de salas comerciais da Grande Vitória está devagar há tempos. Muito embora os lançamentos sejam poucos, a velocidade de venda está baixa

Publicado em 31 de Março de 2026 às 03:00

Públicado em 

31 mar 2026 às 03:00
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho

afilho@redegazeta.com.br

Enseada do Suá
Vista aérea da Enseada do Suá, região com grande número de salas comerciais Crédito: Fernando Madeira
O mercado de salas comerciais da Grande Vitória está bem devagar. Quase parando. Dados do 46º Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Espírito Santo mostram isso. Muito embora os empreendimentos comerciais representem uma parte muito pequena dos imóveis lançados e em construção em Vitória, Vila Velha, Serra, Viana e Cariacica - 500 de um total de 19.469 -, a velocidade de vendas está abaixo da média.
Entre julho e dezembro de 2025, de cada 100 imóveis residenciais econômicos colocados no mercado, 6,4 foram comercializados, na média, por mês. De cada 100 de médio e alto padrão, 5,6 foram vendidos. No segmento comercial, de cada 100, 1,6 foi comercializado, na média, por mês. Historicamente, a velocidade de vendas, na Grande Vitória, fica entre 5% e 6% por mês. Portanto, no mercado residencial estamos falando de um semestre de estabilidade, enquanto que, no mercado comercial, a coisa segue para lá de fria.
"Há mais de dez anos que o mercado de salas comerciais está nessa situação, com algumas poucas exceções ao longo desse período. Alguns fatores explicam isso. Entre 2008 e 2013 o mercado, principalmente de Vitória e Vila Velha, viu uma enxurrada de empreendimentos comerciais. Houve uma super oferta. Tivemos um período de acomodação e, quando a coisa poderia voltar, veio a gravíssima crise econômica de 2015 e 2016, que acabou se arrastando até o final da década. Na sequência veio a pandemia, quando vimos o fenômeno do home office, com as pessoas investindo no mercado residencial e o comercial sofrendo novamente. De uns anos para cá, além dessa nova conjuntura de mercado, temos trabalhado com taxas de juros muito elevadas, o que afasta aquele investidor tradicional, que gosta de aluguel. A gente vê um ou outro movimento, observando mais movimentos específicos, mas ainda bem longe do que já foi", analisou Eduardo Borges, diretor de Economia e Estatística do Sinduscon.
Outro dado divulgado pelo Censo do Sinduscon mostra o tamanho da questão. No segundo semestre de 2025, o Valor Geral de Vendas (VGV) comercial lançado ficou em R$ 126,06 milhões. O valor vendido bruto bateu em R$ 61,79 milhões, o líquido (já contabilizados os distratos) ficou em R$ 23,4 milhões. Ou seja, dos R$ 126,06 colocados no mercado, 18,5% foram de fato comercializados. Na comparação com o residencial, que teve VGV de R$ 3,25 bilhões no semestre passado, as vendas líquidas ficaram em R$ 2,56 bi ou 78,76%.
"Os números mostram um mercado imobiliário saudável, mas com o segmento comercial enfrentando dificuldades para retomar", finalizou Borges.

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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