O FGC, que é mantido pelas instituições bancárias, terá de despender algo perto de R$ 50 bilhões para reembolsar investidores que tinham até R$ 250 mil em CDBs de instituições ligadas ao Master. O maior rombo da história financeira do país. Para recompor o caixa do fundo, as instituições terão de antecipar cinco anos de contribuição. Agora em março, o Banestes desembolsou R$ 126 milhões para bancar a parte que lhe cabe no buraco aberto no Fundo Garantidor de Crédito.
Em outra frente da série de problemas criados pelo banco de Vorcaro, está uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), de 18 de dezembro do ano passado, logo depois de serem descobertos aportes grandes no liquidado Master, proibindo Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de União, Estados e municípios de colocarem recursos em bancos de menor porte. O Banco Central divide as instituições financeiras em S1 (10% ou mais do PIB em ativos), S2 (entre 1% e 10%), S3 (0,1% e 1%), S4 e S5. Pela decisão do CMN, apenas os S1 e S2 estão aptos. O Banestes é um S3, por isso, ficou de fora. No final de fevereiro, a instituição capixaba conseguiu uma liminar na Justiça Federal, válida por 90 dias, autorizando o banco a fazer captação. Os fundos públicos de previdência têm mais de R$ 1 bi no Banestes, portanto, trata-se de um grande negócio.
"Estamos tentando contornar essa definição feita pelo CMN. Entendemos que a análise precisa ser qualitativa e não quantitativa. Temos histórico de administrar bem esse tipo de recurso e estamos perto de recebermos um triple A (nota máxima) das agências de risco, ainda assim não podemos fazer a captação? Trata-se de uma resposta absurda e açodada para o problema criado pelo Banco Master", assinalou Silvio Grillo, diretor de Relações com Investidores e de Finanças do Banestes.
Como vemos, não é pequena a bagunça armada dentro do sistema financeiro nacional.