O ano de 2023 foi confuso (eleições, fake news, polarização política, ideologia barata, guerra de narrativas, guerra real), mas também foi um ano para mostrar que o Brasil e o Espírito Santo são lugares promissores sob vários aspectos, inclusive econômicos. Cabe a nós "apenas" não tropeçarmos nas nossas próprias pernas.
São várias as boas alternativas, mas, para não me alongar demais, ficarei apenas nas que eu mais ouvi de empresários, executivos, analistas e chefes de governo ao longo de 2022: economia de baixo carbono, transição energética e agronegócio. O planeta precisa, emergencialmente, sustentar-se neste tripé. Em todos eles o Brasil e o Espírito Santo estão muito bem posicionados, são protagonistas.
Thomas Lucena, executivo da Shell, em 27 de agosto de 2022:
Marcos Troyjo, presidente do Banco dos Brics, em 16 de julho de 2022:
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Estou olhando as coisas a partir de uma perspectiva brasileira. Há uma mudança estrutural no mundo, em que a principal fonte de crescimento serão as economias emergentes com grande contingente populacional e com renda média baixa. Quando o crescimento se dá a partir de um nível tão baixo, esse espaço entre o momento atual e o momento futuro é um espaço em que a renda adicional é direcionada para o consumo de alimentos e ao investimento em infraestrutura. David Ricardo, um economista do século XIX, dizia que os países tinham vantagens comparativas. Quais são as do Brasil? O agronegócio e a produção de insumos para a indústria siderúrgica. Portanto, esse tipo de cenário internacional que se descortina é muito favorável para o Brasil".
Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Banco Santander, em 19 de novembro de 2022:
Renato Casagrande, governador do Espírito Santo, em 18 de novembro de 2022:
Winston Fritsch, economista e um dos pais do Plano Real, em 02 de outubro de 2022:
Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, em 22 de setembro de 2022:
"Temos que fazer as reformas. O Brasil cresce pouco, hoje, por algumas razões básicas. A primeira é a baixa produtividade. Nos anos 50, a produtividade no Brasil crescia 4,2% ao ano, hoje está estagnada. É a produtividade que gera renda e riqueza. Outra coisa são os investimentos de má qualidade. Um país vai para frente quando os recursos são aplicados nos segmentos mais produtivos, nós estamos aplicando recursos em segmentos pouco produtivos. Temos um sistema tributário caótico; um excesso de possibilidades para enquadramento de empresas no Simples, um estímulo para as empresas não crescerem... O investimento em infraestrutura está praticamente parado, voltou um pouco agora por conta do setor privado nas concessões de rodovias e ferrovias. É um conjunto muito grande que explica a mediocridade do nosso crescimento e isso não muda da noite para o dia. Precisamos de uma série de reformas para o Brasil voltar a crescer de forma satisfatória".
Mansueto Almeida, economista-chefe do Banco BTG Pactual, em 19 de novembro de 2022:
"O Brasil está bem posicionado, fez reformas importantes nos últimos seis anos. Se o governo eleito der os sinais corretos, temos tudo para ter um quadriênio muito positivo. Mas o governo precisa fazer o dever de casa. E o que é o dever de casa? Compromisso com reformas administrativa e tributária, compromisso fiscal e compromisso com a agenda de meio ambiente. O governo já deixou muito claro seu compromisso com a parte ambiental, agora tem que mostrar a nova estratégia de equilíbrio fiscal e o compromisso com as reformas. Se o governo der as sinalizações corretas, o Brasil sai muito bem posicionado".
Marcos Troyjo, presidente do Banco dos Brics, em 16 de julho de 2022:
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Num cenário em que países com grande população vão crescer muito, o Brasil está "fadado" a acumular sucessivos superávits comerciais ao longo do tempo. Isso ajudará o Brasil a ter os recursos necessários para fazer os investimentos em capacitação e requalificação da sua força de trabalho na sua neo-industrialização. Claro, se bem utilizados os recursos, afinal, o Brasil pode desperdiçar essa oportunidade assim como já desperdiçou em outras ocasiões".
Winston Fritsch, economista e um dos pais do Plano Real, em 02 de outubro de 2022:
As oportunidades são muitas, temos a obrigação de não deixá-las passar por entre os dedos! Saio de férias e volto na segunda quinzena de janeiro. Um feliz Natal e um grande 2023 para todos nós! É totalmente possível!