O sistema econômico global foi duramente afetado pela
pandemia da Covid-19. Não foi uma crise setorial ou o colapso de uma parcela do segmento financeiro que promoveu a quebra monumental da
economia, mas uma externalidade aos mercados, ligada à saúde da população, confirmando o caráter multifacetado do que é a tão buscada estabilidade, benéfica ao crescimento das economias. Emitiu-se o alerta para o cuidado com a proteção social da sociedade, o que engloba a saúde.
Agora, com a solução já encontrada para a pandemia – as vacinas – os Estados brasileiros precisam reavaliar os rumos de suas economias, uma vez que o apoio estatal nesse cenário de crise sistêmica é essencial para criar um ambiente favorável aos negócios e estimular a recuperação econômica. É necessário analisar as direções dos mercados e as mudanças tecnológicas e organizacionais que estavam em curso e foram aceleradas pela pandemia. Dessa forma, de posse do diagnóstico econômico, a elaboração de um plano de incentivos à retomada será eficaz, alocado dentro de uma agenda de desenvolvimento sustentado e compatível com o novo cenário global.
O investimento público neste momento de crise generalizada é fundamental para promover os primeiros estímulos econômicos, criando demandas e impulsionando a produção e o consumo. A atuação estatal serve de apoio a uma política anticíclica ao injetar, de imediato, recursos na economia, permitindo a retomada dos movimentos das cadeias produtivas e, por conseguinte, interrompendo a estagnação econômica.
Os projetos voltados ao setor energético e ao setor de infraestrutura precisam ser priorizados, pois guardam o potencial de gerar ramificações produtivas por entre os demais segmentos econômicos. Esse tipo de investimento proporciona a ampliação da competitividade local, ao promover a redução de custos logísticos e de produção.
Atrelada à priorização dos investimentos em infraestrutura e energia, deve haver ainda a priorização dos projetos ligados ao fortalecimento de cadeias produtivas já consolidadas no Espírito Santo ou com grande potencial de crescimento, com elos ainda não concebidos, como, a gasífera. Importante ressaltar que qualquer projeto estatal precisa ser factível e ter muito bem especificados os seus efeitos para a economia capixaba. Somente um planejamento exequível poderá contribuir para a retomada econômica, justamente por ser pautado na real capacidade de realização.
De forma concomitante ao desenvolvimento desse estoque de projetos estritamente estatais é essencial identificar outros potenciais projetos, que possam ser de interesse dos agentes privados. A tarefa seria apontar o que o Espírito Santo tem em potencial. Nesse caso, a existência de recursos naturais e energéticos a serem explorados apresenta uma miríade de possibilidades. Logo, pode-se indicar o potencial e as associações produtivas entre os recursos e os ativos econômicos existentes no ES.
Nesse sentido, alinhavar interesses e investimentos estatais e privados contribuirá para uma recuperação econômica muito mais acelerada. Saliente-se que a participação estatal nessa fase da crise é imprescindível, ampliando a execução de projetos do próprio Estado.