A crise econômica pela qual passa o país já havia sido instaurada antes da eclosão da pandemia do novo coronavírus. O Brasil estava em lenta recuperação, com retração no nível de investimentos e setores econômicos com capacidade produtiva em elevada ociosidade.
A indústria está entre os setores que mais sofrem os efeitos da crise. No seu caso, a redução de sua participação no PIB nacional e estadual já denunciava o problema sistêmico, decorrente da baixa produtividade e competitividade intrasetorial e no restante da economia.
A atratividade da indústria nacional ao capital estrangeiro também apresenta queda. No período 2011-2018, a participação do setor industrial nos investimentos estrangeiros passou de 34,6 % para 22,7%.
Quanto à produção global, a participação da indústria nacional registrou queda, passando de 1,24% em 2018 para 1,19% em 2019. A perda de competitividade, que envolve inúmeros fatores, é ainda evidenciada na redução da participação da indústria nas exportações brasileiras. Em 2018, a indústria de transformação teve participação de 0,88% nas exportações, em 2019 esse percentual foi de 0,82%.
Os dados demonstram a essencialidade de uma política industrial para o país, diante da corrosão de um setor central para a economia. A indústria tem o potencial de encadeamento produtivo e transbordamento tecnológico singular, podendo ser um dos motores para a recuperação econômica. Definir mecanismos de estímulo ao setor deveria ser uma das proposições para o desenvolvimento econômico.