O processo de recuperação econômica assume uma velocidade e particularidade condizentes com as políticas que o cercam e apoiam (ou com a ausência das mesmas). Logo, a retomada do crescimento econômico será mais veloz se for estimulada por políticas eficientes em termos de sustentação das atividades, garantia do retorno aos níveis de produção anteriores à crise, viabilização de novos investimentos e aumento da competitividade.
Diante de uma crise sistêmica como a atual, o retorno aos mesmos níveis de produção e/ou a sua expansão mostra-se dependente de um conjunto de incentivos e esteios do Estado, que seja capaz de proporcionar a geração de demandas em cadeia e criar o primeiro movimento consistente na economia.
Esse conjunto de dispositivos para proporcionar um crescimento sustentado precisa reunir, sob uma diretriz, mecanismos de política de concessão de crédito qualificado, política industrial-tecnológica, política de desenvolvimento descentralizado e novos formatos de parcerias entre o Estado e setor privado, destacadamente na área de infraestrutura (quando parcerias forem realmente cabíveis e com regras apropriadas à eficiência coletiva).
Essas políticas alinhavadas, de acordo com os objetivos de sua implementação, fornecem as condições para, de maneira concomitante, ser viabilizada a ampliação e/ou diversificação produtiva, atualização tecnológica, inovação e ampliação da competitividade geral no Estado.
No cenário de urgência para a criação de demandas, rendas e receitas estatais, os setores econômicos tradicionais ganham destaque por possuírem capacidade de reerguimento econômico mais acelerado. Esse potencial decorre da consolidação das suas atividades na economia local, uma vez que os recursos, insumos e atividades correlatas a esses setores estão localizados no Estado.
Direcionar parte dos esforços da política econômica para os setores tradicionais, bem como para o incremento do estoque de infraestrutura já existente, é adequadamente indicado em um cenário de crise e busca urgente de soerguimento da economia. Uma ampla política de estímulos econômicos pode propiciar, de forma mais rápida, um novo rumo para a economia e um desenvolvimento sustentado.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta