Abatido, fora de prumo, fraco e sem o charme e a convicção de sempre. Deu espanto e uma certa pena. O vigor, a agilidade mental e a sagacidade política parecem ter ido para o ralo. Passou a impressão de que está cansado, cumprindo tabela em missão pela Europa em busca de algo valioso e estratégico.
Nas imagens que pude ver, ele parecia estar numa sinuca de bico, completamente incomodado, doido para se livrar da arapuca em que tinha se metido. As duas repórteres pareciam decepcionadas, sem graça e demonstrando dó do entrevistado.
O formalismo estava constrangedor pra os três. Não imagino quem tenha armado o circo, mas dá pra supor que seja coisa de profissionais do marketing do próprio candidato. A sua figura envelhecida, sem brilho nos olhos e firmeza nos gestos, nem de longe lembram aquelas captadas pelo seu fotógrafo de sempre. Em momento algum apareceu como um líder nato nem como um salvador de qualquer pátria.
Faz tempo, escrevi aqui que a melhor alternativa pra ele seria a de entrar para a história como o cara que abriu mão de ser presidente mais uma vez para ajudar a tirar o capitão do Palácio do Planalto. Fazendo as contas inteiras, ele se livraria do tiroteio e não precisaria ficar se defendendo nem ir trabalhar todo dia. A glória lhe garantiria auditório cheio para suas palestras remuneradas e seria curtida com os amigos de verdade, sempre na frescura das sombras e diante de comida boa e bebida honesta.
Muita gente deve ter achado graça da minha imaginação fértil e considerado a formulação totalmente fora de propósito e ingênua. O fato é que a imprensa nanica e atenta publicou que ele está avaliando se de fato vale a pena a aventura de se candidatar a mais um mandato nas condições que se apresentam.
Digo isso sem querer entrar no mérito das declarações dadas durante a tal entrevista. O bate-boca no partido e nas rodas de conversa já tratam disso, com um certo regozijo para quem é do contra e algum constrangimento para seus antigos admiradores. A sensação que me fica é a de que o homem perdeu potência.
Pelo que se pode ver, a entrada de Moro na disputa representa fato muito mais relevante do que se imaginava. Fera ferida, além de tirar votos do atual presidente, ele deverá bombardear duramente quem já foi presidente duas vezes, dando um troco contundente com conhecimento de causa e muita convicção pessoal.