Poucos temas na história foram tantas vezes explorados quanto ele. Na literatura, no cinema, na mesa de bar, nos cadernos a lápis ou na fila do pão, as questões a seu respeito brotam em prosa, verso e interrogações. Poetas buscam seu espírito, filósofos perseguem sua essência, mortais comuns como eu e talvez você tentam encontrá-lo com maior ou menor afinco.
Afinal, qual o sentido da vida?
O que define uma vida plena? O que significa viver uma vida boa? O que quer dizer uma vida interessante? Um morto pode ser feliz? É possível medir a felicidade de uma existência ao longo dos anos ou apenas quando eles chegam ao fim?
A partir dessas perguntas, o novo e póstumo livro de Contardo Calligaris consegue apresentar um outro ângulo sobre o batidíssimo assunto. E é a simplicidade com que isso se coloca o que mais me comoveu na obra que li estes dias.
O sentido da vida é a própria vida concreta, afirma o autor, no livro finalizado poucos dias antes da sua morte. A felicidade, ele escreve, não depende de a vida e o mundo terem um sentido. Ao contrário: o bem-estar, o bom espírito, precisam de uma situação objetiva em que nós e o universo estejamos em harmonia.
Felizmente certos olhares ultrapassam a vida de seus autores. Eles partem, mas o pensamento permanece, a nos ensinar, com a sutileza dos sábios, que a grandeza da vida pode estar - por que não? - no modo como nos permitimos viver até as coisas pequenas e mais banais.