Um texto curto e grosso, como se dizia antigamente, circulou pelas redes sociais estes dias, resumindo de modo certeiro uma contradição que é a cara do nosso tempo.
- Muito legal seu texto no LinkedIn. Pena que eu já trabalhei com você.
Eis o recado, duríssimo, mas muito verdadeiro: de nada adianta postar bonito na rede social e ser um líder cuja prática diária desencoraja no lugar de estimular, oprime no lugar de inspirar, confina quando devia alargar caminhos, olhares e horizontes. De nada adianta alardear competências e ostentar certificações se ali, no miúdo do expediente, seu trato como colega de trabalho tem o efeito de um trator.
Vivemos uma era de autopromoção desenfreada. Até os espaços destinados à troca de ideias são, muitas vezes, tomados por um cansativo enaltecer-a-si-mesmo.
A julgar pelo que se vê no
LinkedIn, no
Instagram,
Facebook e companhia, todo mundo é produtivo o tempo todo, empático, inclusivo e conciliador. A julgar pelo que se vê, somos uns amores completos.
Um pouco por vaidade, um pouco por necessidade de achar, ampliar ou manter seu lugar ao sol, um pouco porque quase todo mundo faz e não dá pra ficar de fora, tendemos a exagerar os próprios feitos ou a reduzir nossa existência pública a falar deles.
Acontece que a banda da vida real toca um pouco diferente. Na vida real, vale o lugar-comum de que ninguém, ninguém mesmo, é perfeito. E sabem do que mais? Não devia ser o fim do mundo assumir uma imperfeição, inspirar e ser inspirado por processos de transformação, construção, reconstrução e desconstrução.
Ouvi uma vez que reputação significa aquilo que falam de você quando você não está na sala. Gosto de pensar que o que fazemos pela nossa reputação deve ser maior e melhor do que aquilo que dizemos fazer. O contrário pode até funcionar durante um tempo... Mas um dia, como hoje, ontem ou depois da pandemia, vem um texto curto e grosso, como se dizia antigamente, e é isso.