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Luta contra o racismo

Um convite aos que choraram a morte do ator Chadwick Boseman

Não dá para empunhar a bandeira de Wakanda Forever ao mesmo tempo em que apoia políticas públicas que estimulam a matança de gente preta. Ou se você enxerga com naturalidade não haver negros no seu trabalho, nos bares ou consultórios

Publicado em 06 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

06 set 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

ana.laura.nahas@gmail.com

Chadwick Boseman estrelou o longa
Chadwick Boseman estrelou o longa "Pantera Negra", de 2018 Crédito: Marvel Studios/Reprodução
A morte de Chadwick Boseman foi mais uma partida precoce e inesperada a despertar o desgosto coletivo neste insólito 2020. O ano que nos tirou o sorriso, o abraço e o convívio cotidiano realmente não está para brincadeiras.
O ator de 42 anos fortaleceu o orgulho negro ao interpretar personagens fortes e inspiradores. Ganhou o público em especial com o guerreiro T'Challa, rei de Wakanda, em "Pantera Negra". Mas também brilhou como o músico James Brown, o pai do funk, em "Get on Up", e como o jogador Jackie Robinson, primeiro negro a atuar na maior liga de beisebol do mundo, em "42 - A História de Uma Lenda".
Mais que ótimas atuações em filmes extremamente representativos, Boseman personificou a vitória da inteligência, da disciplina e do talento sobre o racismo.
Num mundo que nos impõe mortes como as de Miguel Santana da Silva, George Floyd, João Pedro Mattos, Jacob Blake e tantos outros negros alvejados pelo preconceito, ele ampliou horizontes, despertou o desejo de mudanças, espalhou um ventinho de esperança.
Mas vamos combinar uma coisa? Não dá para empunhar a bandeira de Wakanda Forever ao mesmo tempo em que apoia políticas públicas que estimulam a matança de gente preta. Não vale exaltar o poder do rei T'Challa na internet se você enxerga com naturalidade o fato de não haver negros no seu trabalho, nos bares que frequenta, nos consultórios que você vai ou no mercado em que faz compras.
Vamos combinar que soa estranho celebrar o balanço do padrinho do soul sem se importar com o fato de que pretos e pardos são 75% dos brasileiros mortos pela polícia e, entre as vítimas de feminicídio, 61% são mulheres negras.
Enquanto a taxa geral de homicídios no Brasil é de 28 pessoas a cada 100 mil habitantes, entre os homens negros de 19 a 24 anos o número ultrapassa os 200. Não dá para ignorar estes números se você quer, verdadeiramente, se posicionar a favor da vida.
Wakanda Forever não é - não pode ser - só uma frase de impacto que cai bem nos trending topics. Como Angela Davis nos ensina, não basta não ser racista. É preciso ser antirracista.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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