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morte de Chadwick Boseman foi mais uma partida precoce e inesperada a despertar o desgosto coletivo neste insólito 2020. O ano que nos tirou o sorriso, o abraço e o convívio cotidiano realmente não está para brincadeiras.
Mais que ótimas atuações em filmes extremamente representativos, Boseman personificou a vitória da inteligência, da disciplina e do talento sobre o racismo.
Num mundo que nos impõe mortes como as de Miguel Santana da Silva, George Floyd, João Pedro Mattos, Jacob Blake e tantos outros negros alvejados pelo preconceito, ele ampliou horizontes, despertou o desejo de mudanças, espalhou um ventinho de esperança.
Mas vamos combinar uma coisa? Não dá para empunhar a bandeira de Wakanda Forever ao mesmo tempo em que apoia políticas públicas que estimulam a matança de gente preta. Não vale exaltar o poder do rei T'Challa na internet se você enxerga com naturalidade o fato de não haver negros no seu trabalho, nos bares que frequenta, nos consultórios que você vai ou no mercado em que faz compras.
Enquanto a taxa geral de homicídios no Brasil é de 28 pessoas a cada 100 mil habitantes, entre os homens negros de 19 a 24 anos o número ultrapassa os 200. Não dá para ignorar estes números se você quer, verdadeiramente, se posicionar a favor da vida.
Wakanda Forever não é - não pode ser - só uma frase de impacto que cai bem nos trending topics. Como Angela Davis nos ensina, não basta não ser racista. É preciso ser antirracista.