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Agricultura

Colheita do café pode ser adiada para maio no ES por causa do coronavírus

Em meio à pandemia do coronavírus, o Centro do Comércio de Café de Vitória defende que o início da colheita ocorra em maio, não em abril, como acontece todo ano. No mercado interno já é dada como certa a retração do consumo de café

Publicado em 06 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

06 abr 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

apassos@redegazeta.com.br

Produção de café no Espírito Santo
Produção de café no Espírito Santo Crédito: Marcelo Prest
O pico de contaminação do coronavírus coincide com o momento de iniciar a colheita do café conilon, ou seja, no mês de abril, como acontece todos os anos. Esse trabalho costuma engrossar em maio, como também acontece todos os anos. Mas como se dará em 2020? A pandemia paralisou, ou quase isso, diversos segmentos da economia brasileira.
Esse é o temor que chega à cadeia do café, e causa apreensão ao Espírito Santo, pela importância econômica e social que tem esse produto do campo. Cerca de 400 mil pessoas atuam diretamente na cafeicultura capixaba. Em 2019, as exportações de café do Estado permitiram a entrada de mais de meio bilhão de dólares.
O Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), representando os comerciantes e exportadores, defende que a colheita no solo capixaba (maior produtor do Brasil) seja adiada para maio porque "até lá - diz documento elaborado pela entidade - espera-se uma queda na disseminação do vírus, e porque trata-se de período em que as lavouras estarão maduras em quase sua totalidade".
No texto, o presidente do CCCV, Márcio Cândido Ferreira, ressalta vantagens para o produtor: se o café é retirado do pé ainda verde, a qualidade diminui, provocando diminuição do valor de mercado (que aliás, permanece muito baixo, gerando queixas de quem planta). Além disso, o café verde pesa menos do que o maduro, causando perda em número de sacas.
Mais do que ninguém, os produtores sabem disso. Sentem no bolso. No entanto, muitos procuram vender estoques apressadamente pela necessidade de "fazer" dinheiro para pagar dívidas. Na verdade, esse cenário é ruim para toda a cadeia (produtor, indústria, mercado interno e exportação). Se ocorrer em 2020, será uma grande pena, porque há potencialidade de a qualidade do produto neste ano ser superior à do ano passado. Ademais, espera-se um tamanho generoso da safra.
Desde já, a cadeia do café, notadamente a indústria, tem como certo um um impacto financeiro negativo em 2020: a redução do consumo no mercado doméstico, em função da recessão que vai se instalando, com declínios acentuados no emprego e na renda da população.
A colheita do café é extremamente dependente de mão de obra, que nas atuais circunstâncias pode ficar mais difícil de ser conseguida. Mesmo que não haja escassez de trabalhadores ao ponto de causar prejuízo, a margem do produtor será reduzida em função do custo das providências que terão de ser tomadas, indispensavelmente, visando a evitar a covid-19.
O governo do Estado está divulgando a cartilha "Colheita do Café - Orientações para prevenção ao novo coronavírus", trabalho conjunto da Secretaria da Agricultura com órgãos privados. Há várias recomendações. Veja algumas: os municípios que irão receber trabalhadores de fora devem montar estratégias de triagem para identificar as pessoas com os sintomas do vírus; não devem ser contratados trabalhadores inseridos no grupo de risco para o novo coronavírus; no campo, deve ser disponibilizado água limpa e sabão para higienização de mãos e partes expostas sempre que necessário; o pagamento deve ser feito de maneira escalonada ao longo da semana ou do dia, evitando filas e aglomerações.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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