O varejo tem a melhor performance da economia, no Espírito Santo em âmbito nacional. Mas vive situação desafiante. Volume de vendas e faturamento reagem à recessão, desde maio. Porém, ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades mortais, entre elas escassez de caixa para pagar regularmente os seus compromissos e dificuldades junto a fornecedores para acesso a produtos - questões declaradas por empresários em várias pesquisas.
Isso acontece em meio a mudanças de hábitos, expectativas e comportamento dos consumidores. Muita coisa já não era como no início do ano. Uma prova é o forte crescimento do e-commerce: 145% nos meses da pandemia, até agosto. Tem volta essa tendência? Especialistas dizem que não. O futuro será cada vez mais digital. A utilização da ferramenta on-line como canal preferencial ainda está um pouco abaixo de 40%, mas mostra rápida expansão.
Paralelamente, lojas físicas de varejo que não se reinventam (em vários aspectos, tipos de produtos oferecidos) estão sucumbindo. No Espírito Santo, foram fechadas mais de 3,2 mil, só no segundo trimestre. O ritmo de queda pode ser acelerado com o fim, em dezembro, do auxílio emergencial pago pelo governo, que tem bancado o consumo de bens essenciais para 38 milhões de pessoas.
A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada nesta quinta-feira (7) pelo IBGE informa que o volume de vendas da atividade varejista no país teve alta de 3,4% na passagem de julho para agosto - o maior patamar da série histórica iniciada em 2000. Esse resultado se refletiu na receita nominal, que aumentou 3,9%. A tendência é de novos desempenhos positivos em função da elevação sazonal do consumo a cada fim de ano. Mas, em janeiro de 2011, como vão ser as vendas? O Brasil precisa de um plano consistente de crescimento.
No Espírito Santo, a receita nominal do setor varejista cresceu 3,2% no acumulado de janeiro a agosto deste ano. Em 12 meses, até agosto, subiu 4,3%, comprovando capacidade de reação em cenário muito difícil. No entanto, o volume de negócios ainda se encontra meio travado.
De acordo com a PMC , houve um leve recuo (-0,6%) em oito meses, de janeiro a agosto. Em 12 meses, uma modesta alta de 1,5%. O problema está na perda de renda da sociedade. Programas sociais amenizam carências, mas não substituem políticas de emprego (que para darem certo dependem de várias condicionantes).