A rede de distribuição de alimentos conhecida como Mesa Brasil Sesc doou mais de 120 toneladas de produtos no Espírito Santo, de 1º a 30 de março, visando a complementar a alimentação de crianças, adolescentes, idosos e famílias. De acordo com a Fecomércio, os alimentos foram encaminhados para 137 instituições sociais, de longa permanência para idosos, acolhimento institucional (casas lares, alojamento de famílias e abrigos) e serviços de convivência.
No mesmo período, também foram doados 1.710 produtos diversos entre vestuário, material de higiene e limpeza, entre outros. Tudo isso foi repassado por 51 parceiros do Mesa Brasil. São empresas localizadas na Grande Vitória e no interior do Estado, comerciantes da Ceasa, produtores rurais, redes de supermercados e o conhecido Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), produzidos pela agricultura familiar, com dispensa de licitação.
"A escuridão vai passar, e enquanto esperamos, devemos exercitar a solidariedade com mais afinco. Nosso potencial está subaproveitado. Podemos e devemos fazer muito mais, em função do flagelo do coronavírus"
O Mesa Brasil existe desde 2003 e vai continuar, visando a reduzir a fone e o desperdício. Mas, no momento, o Espírito Santo e o Brasil precisam de muito mais do que o Mesa Brasil (insuficiente para as necessidades sociais desde muito antes do coronavírus). Há risco de desemprego em massa no horizonte da economia brasileira. A miséria já era abundante antes da pandemia e agora alastra-se velozmente.
Tem-se notícias sobre milhares de iniciativas de filantropia em todo o Brasil, por parte de empresas privadas, instituições diversas e pessoas físicas. Mas é preciso multiplicá-las. Qualquer pessoa pode criar um grupo pelo WhatsApp para ajudar o próximo. Quem é o próximo? Exatamente o necessitado. O que depende da caridade. É fundamental ter em mente os efeitos momentâneos das doações. As ações devem ser repetidas, sistemáticas e com acompanhamento de resultados. Vive-se uma grave emergência.
Voltamos a tempos primitivos, sem remédio para a cura de uma pandemia que já matou milhares. O combate à doença pela separação das pessoas é um método primitivo. Rude. Assim era com os leprosos, há mais de dois mil anos. Viviam isolados. Quando alguém se aproximava, eles eram obrigados a gritar, avisando: "impuro, impuro!".
Justamente nos dias bem próximos à Páscoa, como estamos vivendo, Jesus atravessava a Samaria indo em direção à Galileia e encontrou um grupo de dez leprosos. Curou-os. Quando reviveremos essa experiência, na complexidade do hoje, não se sabe. A escuridão vai passar, e enquanto esperamos, devemos exercitar a solidariedade com mais afinco. Nosso potencial está subaproveitado. Podemos e devemos fazer muito mais, em função do flagelo do coronavírus.
O Brasil é a nona maior economia do mundo, conta com o oitavo maior número de milionários do mundo, mas está em 75º lugar no Índice de Doações Mundiais, segundo estudo da Charities Aid Foundation. É um triste descompasso. Em sentido amplo, significa que o Brasil ainda está muito pobre em altruísmo ("altruisme"), palavra criada no século 19 na França pelo filósofo Augusto Conte para definir atitude de amor ao próximo.