Os cenários das escolhas das mesas da Câmara e do Senado indicam incertezas nas relações entre o Congresso e o governo, que se elegeu com a promessa de fazer o país avançar em diversas áreas.
A guerra política permanece muito acirrada. No primeiro viu-se o triunfo da direita com Bolsonaro e a onda de renovação no Congresso: na Câmara, reeleição abaixo de 50%, a maior mudança de caras desde 1998; no Senado, substituição de 85% dos nomes (muitos medalhões rodaram), o maior rodízio da história, desde a redemocratização.
Aí veio o segundo turno, as eleições dos presidentes das Casas Legislativas – cruciais na convivência com o Executivo. Os resultados mostram sintomas diferentes. A velha e viciada política apresentou prova de vida embutida na reeleição de Maia para a direção da Câmara. No Senado, o Davi derrotou o Golias Renan. Foi a extensão das eleições de 2018. Prevaleceu o improvável. Houve nova arregimentação antipetista, como na ascensão do Messias.
Agora, estamos no “esquenta” do terceiro turno, que é a construção da indispensável governabilidade do país no parlamento. Maia e Davi representam as primeiras vitórias de Bolsonaro no Congresso, mas também mascaram fragilidades da base governista. Não afastam desconfianças sobre estratégias para garantir a aprovação de projetos. Principalmente reformas do Estado, como a da Previdência.
Cada Casa Legislativa impõe os seus próprios desafios ao Planalto. Na Câmara, a fragmentação partidária com 30 siglas, uma aberração mundial, indica elevada necessidade do governo de se compor com muitos partidos e perpassar viés ideológicos para encaminhar sua agenda. O Executivo ficará muito dependente de Rodrigo Maia. Da sua capacidade de costurar acordos, demonstrada na sua terceira escalada ao topo da Casa.
No Senado, a eleição da mesa diretora evitou um grande choque: que a velha política (simbolizada por Renan) derrotasse a esperança de “nova política”, bandeira que motivou a eleição de Bolsonaro. Diferentemente do que disse o general Mourão, não se trata de um feito notável do Onyx (ministro da Casa Civil). Há 81 senadores, mas o 82º senador foi quem elegeu David Alcolumbre. Foi a pressão externa sobre os eleitos, por meio das redes sociais – novo e intenso poder na política. Os tempos mudaram.
Mas e se os canais de comunicação on-line fizerem pressão contra a reforma da Previdência, o que acontecerá?