O Brasil ocupa a 9ª pior posição em desigualdade de renda, num conjunto de 189 países pesquisados pela ONU. A parcela de 1% dos mais ricos no Brasil concentra 23% da massa de rendimentos, muito acima da média mundial de 12% - que já é escandalosa. Metade da nossa população embolsa 90% da renda, enquanto a outra metade sobrevive com apenas 10%. Por óbvio, essa situação vai piorar muito em 2020. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) calcula que neste ano o PIB per capita recuará 4,1% - uma média entre Estados. O valor esperado é de R$ 30.780, o menor desde 2007 (R$ 29.778). A realidade é a de diminuição de salários e aumento do desemprego.
O Espírito Santo viverá uma segunda onda de queda da renda. A recessão sofrida pelo pelo Estado durante dois anos seguidos, 2015 e 2016, uma das piores da história, com quedas respectivamente de 2,1% e de 9,3% no PIB estadual, fez a renda per capita do capixaba recuar a nível mais baixo do que na década passada. Em função do crescimento trôpego do seu PIB - apenas 0,5% em 2017, 2,4% em 2018 e a estagnação (zero por cento) em 2019, constatados pelo Instituto Jones dos Santos Neves - o Estado não conseguiu repor as perdas nos bolsos dos cidadãos.
Sabe quando a perda de renda seria recuperada? Só em 2026. De lascar. Isso dependendo de expansão continuada (tipo 2,4% ao ano). Para atingir esse embalo seriam necessários vários fatores: elevação do investimento, mudanças na formação de mão de obra para atender a evolução nos processos de produção, avanço em produtividade, aumento da competitividade dos produtos brasileiros (dentro e fora do país), reforma tributária, confiança na gestão fiscal, melhoria de infraestrutura etc.
A economia capixaba teria de percorrer longo caminho. Talvez mais do que outros Estados. Vale lembrar, por exemplo, que a produção da indústria local caiu 15,7% em 2019. Disparado o pior resultado no Brasil. No ano anterior, 2018, também houve retração (-1,7%). Dois anos seguidos de afundamento não se revertem da noite para o dia.
Entre 2014 e 2019, a renda média dos brasileiros recuou 2,4%, segundo estudos feitos com base na Pnad Contínua, do IBGE. A causa maior foi a recessão entre 2014 e 2016, quando o PIB nacional despencou 8,1%. No Espírito Santo, foi pior. No acumulado de 2015 e 2016, o PIB estadual caiu mais de 11%. Obviamente, as consequências para a renda dos capixabas foram péssimas.
2019 foi um ano bom para o emprego no Espírito Santo. Terminou com saldo de 19,5 mil vagas. Uma reação forte, sem dúvida, mas muito longe de devolver ao mercado as vagas fechadas na recessão. É preocupante a existência no Estado de mais de 100 mil jovens que não trabalham nem estudo, chamados de "nem nem". É um quadro que amplia desigualdades ameaça perspectivas.
Também deve-se acentuar que, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cerca de 50% das pessoas ocupadas no Espírito Santo trabalham informalmente, sem carteira assinada. A renda desse contingente será duramente afetada pela recessão, que vai se instalando ferozmente.